30 dezembro 2011

Vida suspensa




Fecho os olhos, tentando inspirar o ar que me
foge. Sufoco na mágoa que me obriga a viver, hoje.
Dispo-me como se o teu sorriso me tivesse
brindado, Deito-me na sintonia memorável do amor celebrado.
Percorro-me, com dedos saudosos do teu corpo
despido, Inventando razões para, sem ti, a vida fazer sentido.
Choro a dor da ausência, num buraco negro
medonho. Porque perder-te, meu amor, é abortar um sonho.

23 dezembro 2011

Feliz Natal



Neste Natal gostaria que fosse realmente Natal,
Nada a deturpar o espírito de dedicação,

Uma luz acendendo-se em cada um de nós,

E ali permanecendo, estação após estação.


Porque...

... Se o Natal fosse realmente dádiva, seria sensibilidade,

... Se o Natal fosse realmente festa, seria família;

... Se o Natal fosse realmente amor, seria partilha,

... Se o Natal fosse realmente Natal, seria poesia.


(a todos, sem exceção, desejo um Natal feliz e tudo de bom, nesta quadra e sempre)

12 dezembro 2011

Artista do amor

Trazias um sorriso, com que brindaste o meu dia
E, junto do teu sorriso, a música vale nada.
Não foram acordes que me fizeram vibrar,
Mas a paz ao vaguear contigo de mão dada.

Ofereceste-me os teus braços, envolventes
Num aconchego que me vestiu de ti.
Podia o Sol ter-me acalentado a alma,
Mas foi no teu abraço que renasci.

 

Deixaste-me um rasto de beijos doces
 
Desenhado com a boca, em matiz de calor 
Sobre tela de ternura, pintada como se fosses

O mais conceituado artista do amor.

(foto oferecida por uma amiga)

10 dezembro 2011

Parabéns, comadre! :-)


Entraste na minha vida de rompante.
E atrasada. Mas com uma boa razão J
Com o à-vontade que viria a tornar-se a tua imagem de marca, apoderaste-te do espaço na fila da frente e posso dizer que ganhaste um lugar de honra, que sempre permanecerá teu.
A nossa amizade partiu de uma base de  trabalho, onde sempre houve espaço para o riso. Foi crescendo, assente em piadas sobre vidas que evoluíram de formas tantas vezes inesperadas.
É feita presença, de partilha, de cumplicidade.
Não houve celebração, tristeza, surpresa, desgosto, sonho, angústia, proximidade ou distância em que não te sentisse.
Dona de uma frontalidade desconcertante, tantas vezes originada por pura distração, tens em comum comigo muitas caraterísticas, e és o oposto do que sou em várias outras.
Unem-nos amigos e gostos.
E este passado forte de quem se escolhe para família.
Nada nos separa.
Porque, como diz a canção, a nossa amizade é “à prova de bala, à prova de tudo”…

Espero que tenhas um feliz aniversário. E que eu esteja presente na comemoração de muitos mais.

06 dezembro 2011


Quando Dezembro se instaura, os dias recuam, as noites prolongam-se, o frio instala-se.
O mês tem um certo tom de fim. Fim de um ano, de um ciclo.
Soa a festividade obrigatória.
O canto dos pássaros é substituído pelos jingle bells, a solidão velada e fria de tanta gente contrasta com a amálgama consumista, os jantares de empresas, as reuniões com data marcada.
Dezembro é mês de festa, dizem.
E eu continuo a espantar-me com tudo o que consigo incutir-me a mim mesma sobre esperança, partilha, determinação.
E deixo-me encantar pelas promessas com que me levo a minha própria vida, assim, pela mão…


02 dezembro 2011


Não são precisos olhos de poeta para te evocar.
És mar, azul infinito, numa cadência forte e lenta de embalar.

Não são necessárias telas de poeta para te desenhar.
És  paisagem de amor, sorriso encantado que me ensina a voar.

Não é forçoso ter alma de poeta para te sonhar.
És beleza calma, olhar seguro que me sabe (desa)sossegar.

Não é essencial ter sangue de poeta para te inventar.
És grito de saudade, calado no peito onde chegas para morar.

Não bastam acordes de poeta para te cantar.
És riso e pranto, disparate e canção que não me canso de trautear.

Não é fundamental ser poeta para te amar.
És abraço de estrelas cintilantes, aonde sempre irei regressar.

27 novembro 2011

(tela da autoria da minha grande amiga Alex)

Fado.
Fado música.
Fado destino.

Confesso que acordei para o Fado tardiamente.
Como para a poesia.
Primeiro, o gosto pela música e pela leitura. Só depois, senti desenvolver-se em mim o gosto pelo fado e pela poesia.
Apesar de me sentir cada dia mais “miúda”, sinto que a maturidade me tem feito descobrir uma variedade de prazeres nas múltiplas facetas da vida.
O Fado é apenas um dos casos.
E foi emocionante ver que, quando o sonho é de todos, o resultado é este: Fado, património de todos.

24 novembro 2011



Vim. Perco-me em ti vezes sem conta,

Invento um oceano que sentes em mim,

Faço do tempo nosso aliado,

Como relógio sempre avariado.


Vim. Adormeço em ti, após o acto mais nobre,

Invento novas formas de te sentir.

Fecho os olhos, no teu ombro, no teu cheiro,

Minha loucura, meu devaneio primeiro.


Vim. Repito o teu nome, chamo-te, reclamo-te,

Grito em prazer o doce que és e que quero.
Abandono-me, presa a ti, à cama, a tudo
Sabendo que hoje, amanhã e sempre te espero.

19 novembro 2011


Olhou para dentro de si, tentando descodificar a indisciplina de emoções que se desenhavam, ver para além do caminho que percorrera até então.
Pressentiu que uma fase da sua vida terminava ali, naquele instante.
Como quando as uvas murcham nas vinhas, uma partitura ganha pó em cima do piano ou a pintura duma casa estala, exibindo as agruras de anos sem reparação.
Há dias assim, cheios de sentidos ocultos, de pressentimentos que nos tomam por completo.
Enterram filosofias de vida, memórias doridas. Fecham feridas por sarar.
São pontos altos de auto-descoberta. Mistérios que se descodificam.
Promessas de tudo, dependentes da cor com que se pintam os sonhos e da mestria que qualquer obra de arte exige ao seu autor.

14 novembro 2011


Chegaste.
E contigo a vida brilha mais forte.
Reluzem sorrisos num fogo sedutor,
Olhos nos olhos.
Um braço-de-ferro ganho
A tempos de perturbada contemplação.
Chegaste.
E aprendi a segurar-te
Esse olhar de Sol, de estrelas e encanto.
Na tua pele, vivo todos os silêncios
Onde escondíamos poemas.
Nas tuas mãos, o sonho ganha forma
E a dúvida dissipa-se: existes.
Chegaste.


10 novembro 2011

Sinal azul


Proximidade na distância anulada,
Reencontro adiado, a noite florindo,
Fomos riso, medo, gula agrilhoada
Num sono, enganado, já fugindo.

Histórias de silêncios e cavalos marinhos,
Azuis que se acendem nos nossos sinais.
Tatuagens onde trilhamos caminhos,
Fôlegos perdidos em traços tribais.

Não sabemos o toque, a pele arrepiada,
O rubor que nos toca quando nos sentimos,
Mas criamos enredos, esculpidos do nada
Que é tudo nas horas em que, juntos, rimos.

06 novembro 2011

Lembrança


Revejo esse olhar malandro, menino saboreando de antemão a delícia que se anuncia.
Sinto (sinto-o sempre) o calor aveludado das mãos hábeis percorrendo o meu espírito enquanto me aquecem o corpo.
Repetidamente, adivinho-te o peito onde gostava de me aninhar, embalada pelo aroma das memórias mais inebriantes.
Uma e outra vez, a respiração e o dedilhar unem-se pelo ritmo das danças livres de roupas, ao som do riso terno e do desejo animal que tão bem conjugamos.
A urgência junta novamente peles que se complementam no hall, amparadas pela parede cúmplice de um querer inadiável. Inesquecível.
Há uma explosão de vontades, uma mística de mútuo conhecimento profundo, mais adivinhado que vivido, conducente a um estado de alma tão sublime quanto o prazer físico.
E sei-me viva porque pulsa cá dentro, hoje e sempre, a lembrança de nós…

31 outubro 2011

Poesia depois de ti


Um dia fomos nós a liberdade
Comemorada com todos os sentidos,
Revolução de ternura e de vontade,
Fantasia de amantes renascidos.

Um dia fomos amor de imersão
Num banho à luz de vela desenhado
Água morna, corpos quentes e paixão
Na penumbra de um fogo embriagado

Hoje, tu não estás e já nem sei
Se este amor foi um tempo verdadeiro,
Se foi apenas um poema que escrevi.

Terás sido o amante que inventei?
Pergunto-me - num temor verdadeiro -
Se haverá poesia depois de ti.

26 outubro 2011

Parabéns, Vasco!


Faz 9 anos e é o melhor filho do mundo.
Por ele, o meu corpo se dilacerou, mas com ele nasceu o amor maior que se pode sentir.
Por ele, as noites foram dias, durante mais de ano e meio; mas, mesmo tendo adormecido ao volante por duas vezes, continuo a viver a maravilhosa experiência de acompanhar o seu percurso de bebé a homem.
Por ele, as prioridades nunca mais foram as mesmas, os valores tornaram-se bem mais fortes.

Amo cada pormenor deste menino que senti moldar-se no meu interior e sinto agora crescer no seu modo próprio.
Amo cada teimosia do Vasco pelo que significa da sua vontade de contrariar e persistir.
Amo cada derrota sua porque sei que o conduz a nova tentativa de ser bem sucedido.
Amo cada erro porque sei que se traduz em mais uma lição de vida.
Amo cada choro porque sei que ajuda a limpar dores e tristezas (e os homens têm os mesmos direitos que as mulheres).
Amo cada questão porque o encaminha na busca no caminho do conhecimento.
E, claro, festejo cada vitória, cada objetivo atingido, que sinto como sendo também um pouco meus.
Pelo Vasco, o meu primogénito, aquele que me conferiu o título de mãe há 9 anos, sinto-me de parabéns e irradio orgulho.


18 outubro 2011

Desvelo


Que cada dia traga a alegria de uma promessa

Que todo o gesto enxugue as lágrimas incontidas

Que a noite te afague num carinho que não esqueça

E o vento te ofereça as alegrias prometidas



Que os impulsos dessa alma de aventureiro

Sejam passos inventados a cada nova dança

Que toda a casa albergue amor verdadeiro

E a ternura seja o espelho de qualquer criança



Que qualquer estrada desemboque num moinho

Que o presente seja um livro ou um brinquedo

Que haja sempre pão e nunca acabe o vinho

E que cada jardim conserve um segredo



Que todos possam, sempre, ouvir cantar

Essa voz doce, de eterno trovador

Que quando sentires vontade de chorar

Sejam gotas de alegria na oferta duma flor


16 outubro 2011

Hoje não escrevo.
Deixo-me ficar de olhos fechados, imaginando que me estancas este sal dos olhos com a tua língua doce. Que levas a tempestade do meu peito a bom porto, os teus braços como leme.
Ancoro a cabeça no teu ombro e deixo-a fundeada nessa segurança morna até madrugar.
Prometo a mim mesma não voltar a zarpar.
A não ser que me acompanhes na partida…


10 outubro 2011

Adeus, museus?


Admito que sou uma mãe imaginativa.
Gosto de proporcionar aos meus filhos programas diversificados nos dias de férias ou fim de semana.(aliás, gostaria de fazê-lo com mais crianças).
Assim, privilegio as atividades ao ar livre, como praia, parque e pic-nics durante os meses de bom tempo.
Mas, nos restante, não ficamos um dia inteiro em casa. E recuso-me a passear crianças em shoppings.
É frequente irmos a bibliotecas e museus, como referi algumas vezes, por exemplo aqui e aqui. Habituei-os; agora, são eles que pedem para ir.
Há atividades fantásticas nestes espaços, que entretêm toda a família.
Agora, deparo com a notícia de que os domingos deixarão de ser gratuitos nos museus.
Como desempregada repetente, pergunto-me se, além de não poder escolher as escolas dos miúdos (há muito que os retirei da cooperativa onde estavam, porque começou a ficar impossível pagá-la) nem dar-lhes a possibilidade de praticarem um desporto, também terei de abrir mão de os levar a museus.
Qualquer dia lembram-se de cobrar pelos serviços das bibliotecas. Ou pelas praias...
Devem querer obrigar-nos a criar filhos em frente à tv ou nos locais de culto do consumo, não?
(e ainda há quem fale no orgulho de ser português?!?)

07 outubro 2011

Castelos






Deixemos de parte o saudosismo de outros tempos.
A imagem romântica dos contos de princesas.
Todas as lições de História que já esqueci.
Os castelos são, por si só, das mais sedutoras obras
 de que o engenho humano foi capaz.

02 outubro 2011


Tenho palavras escondidas, que adivinhas, porque não as sei contar,
Tenho um sorriso que te espreita, de longe, à espera do teu olhar.
Tenho um rio que corre, incansável, em maré que enche, devagar,
Tenho um abraço alojado no peito que não se cansa de te esperar.

19 setembro 2011

Afetos não são depósitos a prazo


Não basta uma lembrança anual, por ser Natal, para alimentar uma amizade. Ou um período de grandes demonstrações verbais e carinho, que depois não continuam, para se viver um amor.
Os afetos não são depósitos a prazo, em que se investe uma vez e se espera daí vir a retirar dividendos.

16 setembro 2011

Zona de conforto? Acho isso a maior das secas!


Há tempos, uma amiga referia-se à sua zona de conforto, expressão que se tornou frequente nos últimos tempos.
Começo já por dizer que me deixam desconfortável, estas palavras. Pelo que, quem quiser, pode continuar a ler este post, quer se identifique ou não com esta atitude, mas desde já sabendo que não estou para meias medidas (podem botar abaixo à vontade, como sempre foi uso neste espaço).
Ora bem, se a vida não é confortável, que história vem a ser essa de zona de conforto, alguém me explica?
A vida é feita de decisões, escolhas, fracassos, sucessos, altos e baixos. Avanço para cada momento de peito aberto, ciente da responsabilidade que tenho sobre os meus passos.
Avanço, arrisco, nem sempre corre bem, mas… é a vida.
Não me sentiria viva se me tivesse calado quando outros se calaram. Não me sentiria inteira se não tivesse ousado. Não me sentiria mulher se não tivesse amado. Não me sentiria consciente se não tivesse arriscado. Não me sentiria bem se não me tivesse empenhado.
Quando vivo, faço-o por inteiro. Acerto. Erro. Alegro. Magoo. Congratulo-me. Arrependo-me.
Mas não por não ter vivido.
Disse a essa amiga, a quente, como normalmente faço, “Zona de conforto? Acho isso a maior das secas!”
Continuo a dizê-lo, a frio:
A zona de conforto deve ser um desconforto e pêras...
Vida sem risco?
Lobotomias como auto-defesa?
Grande desconforto. Grande tédio. E não sei se resulta...”
 Eu sou de arriscar. E sabem? Se morresse agora, sentia que tinha valido a pena...

13 setembro 2011

Reinicia amanhã a escola da minha filha e, no dia seguinte, a do meu filho.
terminadas as férias, com saldo mais que positivo na parcela da diversão (feita de muita praia, amigos e diversidade de programas), sabe-me bem antever o ano que vamos agora encetar.
Educar é uma responsabilidade capital.
Como mãe em constante aprendizagem, sei que educar é dar carinho, inculcar princípios, incentivar a auto-estima, apontar direcções, estimular a criatividade, ensinar a solidariedade, oferecer variedade cultural nos programas familiares, promover o convívio com amigos e comunidade, acompanhar.
Empenho-me diariamente em prosseguir todos estes aspectos, apenas lamentando não poder fazê-lo a mais vasta escala. Apercebo-me que tantas e tantas crianças não têm os horizontes que tento proporcionar aos meus filhos, muitas vezes com dúvidas sobre a melhor opção, mas decidindo em função do que penso ser melhor para eles, guiada pelo coração.
Ter filhos implica ser responsável por eles, o que não se limita a dar-lhes alimento. Há que alimentar-lhes o espírito.
A interacção entre a família e a escola parece-me essencial no desenvolvimento de seres humanos mais completos e satisfeitos.
Neste ano, ao contrário do que aconteceu no anterior, espero poder colaborar mais activamente na educação de outras crianças. Se já era representante dos encarregados de educação de uma turma e me tinha disponibilizado para tratar da biblioteca da escola e ajudar a levar a turma do meu filho à natação (proposta que, infelizmente, nem foi digna de resposta), este ano serei a representante dos encarregados de educação das turmas do pré-escolar na escola da minha filha, e penso que aqui a minha oferta de tempo para colaborar com as educadoras será levada mais em conta. Os cortes orçamentais e o baixo astral da população podem limtar os agrupamentos escolares, mas se alguns de nós, com tempo disponível, estivermos dispostos a fazer algo mais em colaboração com quem já tanto faz pelos filhos de todos, os alunos sairão beneficiados.
Costumo dizer "motivação é tudo"- e gosto de pôr em prática este lema.

08 setembro 2011

Um toque de canela



Uma história acerca de como a palavra gastronomia contém a palavra astronomia.
Uma história de amor. De como o amor é algo tão forte que perdura no tempo, independentemente da distância e das circunstâncias de vida.
Ou de como os conflitos históricos dos povos ditam a história de uma família.
Uma viagem, nossa, no tempo, de volta ao tempo da deportação dos gregos de Istambul.
Um retorno, do protagonista, ao ambiente e aos aromas da sua infância, ao sótão onde o avô lhe ensinara astronomia recorrendo a especiarias, em lições tão ternas quanto sensoriais, para sempre gravadas na memória de Fanis.
Uma lição sobre como perdemos oportunidades quando deixamos que algum receio nos iniba.
Quando nos esquecemos de deitar um toque de canela na nossa própria vida.
Um filme de Tassos Boulmetis, baseado em factos reais por este vividos, com uma banda sonora marcante, um estilo de humor que me lembra Almodóvar -numa versão mais subtil- e uma doçura de imagem que nos deixa a sensação de sobremesa na alma.

06 setembro 2011

Questões sobre livros

A Isamar lançou-me há dias um desafio, sobre livros. Aqui estão as minhas respostas.

1-Existe um livro que relerias várias vezes?
Existem, alguns. Mas a curiosidade leva-me sempre a ler aqueles que ainda não conheço.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Sim. Se não gosto de um livro, não me obrigo a lê-lo.

3-Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Só um? Não conseguiria escolher. Há situações na vida em que é demasiado redutor cingirmo-nos a uma unidade.

4-Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Não me ocorre nenhum…

5-Que livro leste cuja «cena final» jamais conseguiste esquecer?
O Menino de Cabul, de Khaled Hosseini. Outros, certamente, mas de momento não me lembro.

6-Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual o tipo de leitura?
Tinha. Comecei pelos almanaques da Disney, as revistas Fungagá da Bicharada, os álbuns da Mafalda (Quino) e dos Estrumpfes (Peyo), depois Alice Vieira…

7-Qual o livro que achaste chato, mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
A Sombra do Vento, do Carlos Ruiz Zafon. Porque queria perceber a razão de ser tão aclamado. O Perfume,  de Patrick Suskind, pela curiosidade em relação ao final.

8-Indica alguns dos teus livros preferidos.
Os Maias, de Eça de Queiroz, Gente Feliz com Lágrimas, do João de Melo, Um Amor Feliz, de David Mourão Ferreira, Equador e No Teu Deserto, de Miguel Sousa Tavares, A Filha do Capitão e O Códex 632, do José Rodrigues dos Santos, as diversas Crónicas, de António Lobo Antunes, Memorial do Convento, de Saramago, os de Garcia Marquez e de Isabel Allende, os da Susanna Tamaro, O Regresso, do Bernhard Schlink, e outro O Regresso, de Victoria Hislop, Por Quem os Sinos Dobram, de Hemingway e mais alguns, certamente, que não me ocorrem agora.

9-Que livros estás a ler?
A Obra Poética de David Mourão Ferreira, Poesias Escolhidas, de Pedro Homem de Mello, Trocando Olhares, de Florbela Espanca e Conhecer Uma Mulher, de Amos Oz.

10-Indica 10 amigos para responderem a este inquérito.
Nesta resposta vou inverter as regras do desafio, deixando a cada um dos amigos que por aqui passam a liberdade de responderem, se assim o quiserem…

03 setembro 2011

Das palavras que te deixo *


Ausculto-te a pele com este olhar
Que ri quando navegas comigo,
E no meu peito, teu eterno abrigo,
Nascem marés por desnudar.

Dos teus olhos desprende-se o mar
Em ondas que te banham o queixo;
E então, das palavras que te deixo,
Pintamos sonhos por inventar.

* título da autoria de uma amiga

27 agosto 2011

Despedida


Não me peças mais um dia;
Chegou o momento.
Voam memórias no reino do esquecimento,
Quebram-se asas no céu na fantasia.

Não me peças mais um beijo;
Selei a boca.
A voz, outrora doce, fez-se mouca,
Olho-te e já não é a nós que vejo.

Não me peças mais abraços;
Cheguei ao fim.
A vida despediu-se hoje de mim
Levando sonhos, amores e cansaços.


21 agosto 2011



Todos os dias agradeço à vida os amigos que me trouxe.
Cada ano que somo ao meu percurso, penso na sorte que tenho em poder partilhar com eles uma boa parte dos anos que nos foram dados viver em simultâneo.
Este dia torna-se mais um pretexto para juntar aqueles que há anos me fazem sorrir, me surpeendem, me recebem com um abraço, me dedicam um elogio, me demonstram a sua presença constantemente. Amigos que sabem o valor da ternura, trazem cor aos meus dias sombrios, me acompanham por mensagens, comunicam por imagens, desenvolvem private jokes comigo.
Nem todos estão representados nesta imagem, mas sabemos quem são.
Sem eles a minha vida seria nada.

12 agosto 2011


Fossem as minhas mãos doces arados
Sulcando o chão que é esse teu cheiro
No húmus destes beijos demorados
E serias campo lavrado por inteiro

Fossem os meus olhos ventania
Estendendo-te no solo de rajada
Num sopro toda eu estremeceria
E já serias terra, e eu nortada

Fosse o meu calor leve semente
Florescendo de manhã no teu olhar
E já o teu sémen no meu ventre
Seria promessa de vida a germinar

08 agosto 2011

Confissão


Num cântico suave de adoração
Segurei religiosamente o teu rosário,
Tacteando contas de fé e paixão
Devota, que guardo num relicário.

Segui-te os passos no trilho do andor,
Comunguei contigo em doce oração.
Consagrei ao teu ser todo o meu amor;
Não espero castigo ou absolvição.

Fiz do teu corpo o meu altar sagrado
Assim te adorei, em doce ritual
De puro culto, isento de pecado
Numa fusão muito... espiritual


06 agosto 2011

Aprende-se sentindo


Sei que te amo quando estremeço ao som daquelas canções que me enevoam a consciência.
Sei que te amo sempre que as emoções trazem consigo a sensação do chão a desintegrar-se debaixo dos meus pés e eu, sorriso parvo colado à boca, me sinto bem com isso.
Sei que te amo porque as palavras são nada, à beira das estrelas.
Sei que te amo ao sentir meus os teus gostos. E sonhar os nossos petiscos, juntos na cozinha, as nossas viagens, os nossos desvarios. Ao sonhar-te.
Sei que te amo em cada poro meu que, ao toque, se faz teu. Nesta respiração que é una com a tua, neste olhar que vê em mim a tua casa.
Sei que te amo porque nada é inalcançável. Haverá palavras pronunciadas pela primeira vez, sensações inventadas a dois, momentos desencantados no impossível do tempo voraz.
A mais intensa chuvada não poderia lavar esta certeza de ti em mim.
Sei que te amo porque sinto. Que o amor é feito contigo e para ti.
Sei que te amo.

(foto enviada por um amigo)

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