01 abril 2009

Axolote

Há menos de um ano, na minha anterior ida ao Jardim Zoológico de Lisboa, fiquei pasmada perante um animal que nunca antes tinha visto e que apreciei no reptilário deste Zoo, como podem ver aqui.

Deixei apelos em blogues dedicados à vida marinha, mandei emails a pessoas cujas profissões as liga à biologia, nomeadamente a marinha, mas nunca me disseram com total certeza de que bicharoco se tratava.
Ora, como sabem, regressei ao Zoo e tive o prazer de ali me demorar mais que qualquer outro visitante, deliciada com tamanha extravagância aquática. Se fosse um homem, dir-se-ia amor à primeira vista, dado que nunca mais deixei de matutar nesta criaturinha. Mas, sendo um bichinho, só posso dizer que me deixou embeiçada pela curiosidade. Reparem bem: completemente submerso, com costelas e pulmões, albino e com brânquias rosa. Existe coisa mais extraordinária?
Hoje, sinto-me no dever de deixar aqui a lição que eu fui colher à fonte, a tabuleta do próprio reptilário ao lado deste ser tão sui generis.


AXOLOTE

Habitat: lagos de água doce, com fundo escuro e vegetação abundante.

Aspecto larvar mesmo no estado adulto (neotenia).
Comprimento total: até 30 cm. Distingue-se pela presença de três pares de brânquiasexternas plumosas nos dois lados da cabeça. Apresenta barbatana caudal desde a parte terminal da cabeça até à extremidade do corpo. Os membros são curtos e fracos, constituidos por cartilagem. Pulmões rudimentares. A pele é escura, podendo estar entre o cinza e o castanho, muitas vezes com manchas. Indivíduos albinos são comuns. Apesar de anfíbio, é uma espécie exclusivamente aquática durante toda a sua vida. São agressivos entre si, podendo morder e mutilar partes de outros indivíduos com as brânquias ou os membros. Têm, no entanto, grande capacidade de regeneração de tecidos e mesmo órgãos. Dieta: alimenta-se de quase tudo que consiga caçar: insectos aquáticos, moluscos, artrópodes, peixes.
Reprodução: espécie ovípara com reprodução interna. O macho liberta pequenas bolsas cónicas de espermatozóides e atrai a fêmea até ao local. Esta, aproxima-se e recebe uma parte através da cabeça. Época de acasalamento: pensa-se que varia consoante a temperatura da água. No habitat natural, pode ocorrer entre Dezembro e Junho. Postura: cada fêmea pode depositar entre 200 a 1000 ovos por postura, dependendo do tamanho da fêmea. Os ovos aderem à vegetação do meio devido ao revestimento gelatinoso que os cobre.
Duração da metamorfose: não ocorre espontaneamente, no entanto pode ser induzida artificialmente. Maturidade sexual: cerca de 12-18 meses.
Estado de conservação: Criticamente em perigo (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza). Principal ameaça: redução do habitat por ocupação humana, captura para o comércio ilegal de espécies exóticas e para alimentação das populações locais.
(nota minha: na net podem ver diversos videos acerca destes exóticos animais. No reptilário pareciam-me inertes, mas nadam e deslocam-se de forma veloz, por exemplo ao verem comida.)

11 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Lindo o teu texto e linda a criatura - e está a olhar para ti, repara! Fico com vontade de lá ir fotografar também.

Por aqui tudo bem, falta de temo apenas...

Beijokasssssss

Gi disse...

axaste lots of informação sobre o bixo.

BlueVelvet disse...

Acho muito engraçado este teu fascínio por bicharocos tão estranhos.
A mim causam-me uma enorme repulsa. Tudo o que rasteja, causa. Até os humanos, se é que me entendes.
Beijokas

Meg disse...

Filoxera,

Mas que fascinante criatura este Axolote! Estamos sempre a aprender.

Beijos

jo ra tone disse...

Este bicharoco parece-se muito com um pampo. Talvez um anfíbio da sua espécie
Bom fim de semana

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

É muito parecido com uns peixinhos de aquário que tinha lá no Porto e que chamava leitõezinhos.

tulipa disse...

Comemoro o 1º aniversário do meu blog "DeAbrilemdiante", no entanto, não faço qualquer festa como é habitual em mim, devido ao momento de luto que atravesso pelo falecimento da minha sobrinha Tânia.
...Foste tu que me meteste o bichinho dos blogues, foste tu que me incentivaste a escrever, elogiaste sempre a minha escrita e, através de ti tive um blog que durou 3 anos, há 1 ano criei este com a tua ajuda, passo a passo e depois ainda voltei a criar um outro mais virado para as minhas fotos e viagens pelo Mundo.
Neste dia a homenagem é feita a ti, minha "pikena".

Carminda Pinho disse...

As coisas que a gente aprende na blogos...
Olha! Se não fosses tu, talvez nunca viesse a conhecer, nem a saber da existência de um Axolote.
Obrigada.:)
Beijos

Pena disse...

Linda Amiga:
Muito interessante.
Quem repararia em pormenores tão significativos de especificidades num ser aquático digno de atenção como este...?
Só você, amiguinha.
Um post maravilhoso.
Parabéns sinceros.
Beijinhos de imenso respeito

pena

OBRIGADO pela simpática visita que não me deixou indiferente, nem despercebida, pela sua atitide maravilhosa.
Bem-Haja!
Feliz Páscoa no seio familiar.

Pipinha disse...

Amiga, realmente é um bichinho engraçado e diferente. Obrigada pela lição que partilhaste connosco.
Beijinhos

Oliver Pickwick disse...

Desconfio que este bicho é um elo perdido do período paleolítico. Animal mais estranho!
Um beijo!

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