23 abril 2009


Há três anos, saía do Cemitério do Alto de S. João com uma barriga de oito meses e uma caixa metálica na mão. Continha os restos do meu pai. Cinzas. Ao que se resume uma vida…
Éramos poucos, na hora do adeus. E eu martirizei-me por me ter esquecido de te dizer “adeus” quando o caixão rolou para dentro do forno crematório. A palavra que eu não gosto de pronunciar, que eu reservo para estas despedidas definitivas, e eu a esquecer-me dela no momento em que desaparecias da nossa vista…
Vi o que restava de ti antes de se selar a pequena urna. Ouvi o desfazer daquilo que o fogo não desfizera. Foi duro…
Ainda o é.
Mesmo a imagem das tuas cinzas a voarem, embaladas pelo vento da maresia, embora sendo uma imagem de liberdade, ainda dói. Mas foi feita a tua vontade. Restituímos-te a liberdade. E eu disse-te, finalmente, “adeus”…

(post programado; continuo sem internet)

7 comentários:

Antonio saramago disse...

Tudo se vai, mas fica-se sempre com algo no coração e para sempre!!

Entre "aspas" disse...

Minha amiga a vida é tão cuta e madrasta, eu n espaço de dois anos e meios perdia a minha mãe, o meu irmãoé á relativamente pouco tempo o meu pai,fora a mudança radical da vida mas tinha mesmo que o fazer...

Beijinhs amiga e muita força
Zita

BlueVelvet disse...

Há textos que estão para lá da minha capacidade de comentar.
Deixo-te um abraço muito apertado.
Beijinhos

Alex disse...

"para lá da capacidade de comentar" ... é mesmo assim.
Também te deixo um abraço

um abraço daqueles bem, bem, bem, apertados.

Contas comigo,
sempre.

Si disse...

Talvez Abril tenha o condão de se transformar em mês da liberdade para os que já partiram e para os que cá ficam...
Beijinhos

f@ disse...

O A D E U S sentido não precisa ser dito....
o voa das cinzas... e o branco do negro esvoaça sempre no CÉU daqueles que amamos e no nosso tb....

Imenso beijinho

Maria disse...

Sabes porque vou ficar calada.

Abraço-te, forte.

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