03 abril 2011

Escrevo isto porque sei que não lerás. Assim posso escrever o que a vida me dita, sem receio de julgamentos.
Gosto de me perder à conversa. Mesmo com desconhecidos.
Parar na rua, libertar uma qualquer frase banal e, a partir dessa, ir caminhando por um passeio de palavras incontidas, libertas pela disposição do momento. Fazer das palavras frases, deixar que me levem para ideias recém-nascidas, descobrir novas. E descobrir pessoas.
Digo-te isso aqui porque sei que não me ouves.
Assim, estou muito mais à vontade. Para descobrir, mas também para imaginar. É um dos meus muitos defeitos, estar sempre com um pé lá, outro cá. A imaginação comanda e eu deixo-me ir.
Nas minhas deambulações mentais, somos conversa que se entabula com um não-sei-quê de curiosidade, intenção misteriosa de comunicar numa liberdade refreada. O teu discurso lutando por me segurar o olhar, o meu olhar timidamente rodopiando em redor, querendo ir pousar no teu, mas sem conseguir reter-se aí. Conta-gotas de informação, os diálogos contêm sorrisos, que por sua vez contêm bem-estar, que por sua vez contém simpatia.
Sei que te fiz protagonista duma história secreta, despoletada pelas imagens que trocávamos, desenvolvida por feitiços, super-poderes e mistérios. E toda a gente sabe que as histórias de mistério nos retêm enquanto soltam a imaginação. Por isso, viajo por essas imagens, sem visto nem passaporte, sozinha num programa que defino de improviso.
E to conto, assim, onde não adivinhas que mora este desabafo feito de sorrisos interiores. Que são os mais sinceros, porque são os que ninguém vê e, assim, eles podem soltar-se sem constrangimento.
Cada amigo que descubro é um metal precioso que acrescento a esta liga de que a vida é feita. É engraçado pensar que vais fazendo parte dela sem sequer suspeitares. E é bom deixar a minha liberdade de espírito voar por aí, fazendo de ti o super-herói que não és, descobrindo-te sem te conhecer, traçando-te rumos que não tomarás. Digo-te isso aqui porque sei que não lerás. Porque estou muito mais à vontade. E porque não sou talhada para contos onde os super-poderes se cosem à magia romântica que falta no dia-a-dia. Por isso, e porque, como todos sabem, há histórias que devem ficar em suspenso, não darei seguimento a esta, que fica sem ponto final

20 comentários:

Sofá Amarelo disse...

As histórias verdadeiras não têm ponto final, simplesmente porque são histórias que não têm fim, são histórias onde as palavras incontidas mais não que olhares timidamente olhando em redor quantas vezes numa viagem definida de improviso...

Nilson Barcelli disse...

Também gosto de falar com desconhecidos e de"ir caminhando por um passeio de palavras incontidas, libertas pela disposição do momento. Fazer das palavras frases, deixar que me levem para ideias recém-nascidas, descobrir novas."
Gostei do texto, não só pela parte que destaquei, mas também pela forma como dizes as coisas.
Querida amiga, tem um bom Domingo e uma excelente semana.
Beijinhos.

São disse...

Por vezes é mais fácil falar o que nos magoa a quem desconhecemos , não é?

Eu adoro "encontros"

Feliz semana.

© Piedade Araújo Sol disse...

não fui eu que escevi este texto, mas podia ter sido eu, na medida em que me revi nestas palavras.
mas, quem disse que não será lido pela pessoa em questão?!
por vezes a realidade e a ficção são um espelho uma da outra.
gostei do texto.
uma boa semana
um
beijo

(deixei um mimo no duas lentes)

Fê-blue bird disse...

Esse desconhecido poderá não ler este texto sentido, mas eu li e gostei....tanto que fiquei!

Beijinhos

Cata- Vento disse...

E é tão bom falar com quem nos apetece sem quaisquer constrangimentos, sem avaliar, sem ser avaliado,enfim, senhores de nós mesmos, completamente livres.

Escreve, amiga. Escreve sempre. Escreve muito. Fala! Faz amigos! Sê tu!

beijinhos

Bem-hajas!

Vieira Calado disse...

Obrigado, amiga

pelos seus amáveis votos!

Bjjss

taio disse...

superb

antonio - o implume disse...

Deixemos os ponto finais... eles nunca nos escutam, apenas aguardam pelo nosso silêncio.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

quem não ler isto, não sabe o que perde...

ANTÓNIO disse...

Lindo de te ler.
Gostei mesmo muito da tua imaginação tão concreta, real, completa!
Continua que eu também continuo a fruir estes momentos de te ler.

Bjs
António

Luis Eme disse...

a vida também é isto, Filoxera.

e nunca fez mal a ninguém ter um pé no lado de lá...

beijinho

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bonito...difícil, é claro, mas a forma e o desprendimento ao leitor principal deram o toque!

[]s

valquiria calado disse...

•*♥ڰۣ¸.•*♥ڿڰۣ✿ڿڰۣ¸.•*♥ڿڿ•*♥ڰۣ¸.•*

Sobre o amor

Fácil de acontecer, difícil é descrever.
Amar é sentir sem querer, é querer sem perceber.
Fugaz ou duradouro, não importa o tempo, o que vale é o sentimento.
Que o eterno seja pra sempre, mesmo que seja breve.
Sobre o amor é tudo que não sei, daquilo que já sei.

Fim de semana de luz e paz,
abraço.

ڿ•*♥ڰۣ¸.•*♥ڿڰۣ✿ڿڰۣ¸.•*♥ڿڿ•*♥ڰۣ¸.•*♥ڿڰۣڿڰۣ

Brasileiros enlutados ♥♥♥♥♥♥♥♥♥...


ڿ•*♥ڰۣ¸.•*♥ڿڰۣ✿ڿڰۣ¸.•*♥ڿڿ•*♥ڰۣ¸.•*♥ڿڰۣ

Nilson Barcelli disse...

Querida amiga Filó, tem um bom fim de semana.
Beijos.

Maria João disse...

E sem ponto final, todas as histórias são cartas abertas. Recados contigos que não sabemos se alguém, alguma vez, sentirá, ouvirá ou lerá. São palavras nossas unidas em cordão à espera de encontrar uma qualquer alma onde possam ser, metal precioso.

Um beijinho

Jony River disse...

Continuas com magia nas palavras....porque será?...

Jony River disse...

Continuas com magia nas palavras....porque será?....

momo disse...

es bom..hablar sin dedicarlo a ninguem..porque es curioso que hay muchos que se paran a escuchar y se sienten (como yo) identificados con lo que escribes.
Beijinho y feliz puente.

xx disse...

Texto depuradamente insolente...
a tua imagem!
e
sem ponto final! Obviamente!

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