01 novembro 2014

Pão-por-Deus


Eram cinco.
Vinham com mochilas e sacos para o pão-por-Deus. Ou "doçura ou travessura". Rapidamente conciliaram os conceitos. Não importava a designação, desde que juntassem umas guloseimas que lhes premiassem o tempo passado a tocar às campainhas da vizinhança, entre comentários humorados e conversas menos risonhas.
Eram cinco, todos rapazes, todos da mesma escola.
Pousaram as mochilas no hall, saudaram-me com à-vontade e vozes de criança, beberam água, receberam uns doces, negociaram as horas para o regresso e saíram.
Gosto de ir conhecendo os amigos do Vasco. Os da actual turma, os da do ano passado.
Gosto de ver repetir-se a cena de há uns anos largos, quando a casa dos meus pais foi, tantas vezes, o ponto de encontro da turma.
Aprecio a atitude destes miúdos. Educados, uns mais conversadores que outros, cuidadosos no diálogo. Reservados ou extrovertidos.
São rapazes. São simples. A vida é o que é, não são floreados nem declarações de amor a torto e a direito. Companheirismo e jogos, convívio em casa e na rua e skate. Tá-se bem!
No final da ronda, a reunião tornou a ser cá em casa. Feitas as contas, na sala, repartiram o produto do pão-por-deus. "A senhora gosta de caramelos de café?" - perguntou o Henrique. Ainda sobrou para mim. Sou uma sortuda!
Mais copos de água, votos de bom fim de semana e vi-os descerem as escadas.
Deixaram sorrisos e uma sweat esquecida.
É bom estar entre miúdos, diariamente.

26 outubro 2014

Quadras para um aniversariante


Meu fruto de Outono, meu amor primeiro
Orgulho materno, jovem batuqueiro
Estás de parabéns, são doze e és tanto
Rebeldia doce, sensível encanto

Meu rapaz solar, mais que desejado
Possa eu celebrar sempre a teu lado
Cada aniversário, sonho ou vitória
Como adjuvante nessa tua história

Meu filho de estreia na maternidade
Cúmulo de dor, esforço e felicidade
Tenho em ti mais que o universo inteiro
Poema de sangue, belo e verdadeiro.

25 outubro 2014

Rogério Charraz & Dany Silva - Campo Lavrado




Música de Rogério Charraz.
Letra de Sofia Barros.
"Campo Lavrado" é um dos poemas do meu livro Antes de Sermos Dia.
Esta noite fará parte do alinhamento do concerto de Rogério Charraz e os Irrevogáveis, 
no Centro Cultural Olga Cadaval, onde será apresentado o novo CD, Espelho.

18 outubro 2014

Relacionamo-nos no silêncio


As emoções supremas não se confinam às palavras.
Sorrisos que traduzem encanto. Pulos saltam de alegria. Lágrimas de dor ou de despedida.
O descompasso da caixa de ressonância ansiosa.
As pálpebras subitamente escancaradas do susto e as que se fecham sobre a desilusão.
Mãos encontrando-se na cumplicidade.
Peles magnetizadas que se atraem. Respirações em crescendo uníssono.
O carinho do colo. A entrega da confiança. A partilha da amizade.
O abraço da ternura.
A rajada emanada pelo olhar furioso. O esgar da repulsa.
Toda a tensão da revolta.
A enorme fragilidade da tristeza arrastada. O poder incomparável da realização.
O peso do arrependimento. A perda melancólica da saudade.
As palavras encolhem-se, impotentes face à afasia poética dos sentimentos.
Falamos com amigos, conhecidos.

Sentimos com quem nos é querido. Relacionamo-nos no silêncio, no toque ou à distância. Pelos movimentos de pálpebras como pelo que não se diz.

07 outubro 2014

Espelho, o novo cd do Rogério Charraz e os Irrevogáveis


Já cá cantam, cd e bilhetes.
Espelho é o novo cd do Rogério Charraz. 


Recomendo que ouçam, já na próxima 5ª feira, em directo do palco da Antena1, no Viva a Música, com Armando Carvalheda e Ana Sofia Carvalheda, 
este seu novo trabalho.
É bom saber que há gente que faz música de qualidade em Portugal.




Ao Rogério, estou grata pela honra que me deu ao incluir no Espelho 
um poema meu, Campo Lavrado.

Rogério Charraz | Porto de Abrigo

26 setembro 2014

Ainda aguardo surpresas



Ainda espero surpresas.
A vida trouxe-me quase tudo em doses significativas. Surpresas incontáveis, desilusões violentas.
 Mantenho a capacidade de me surpreender. E gosto de demorar a atenção sobre quem aprecio.
Alguns sonhos, daqueles que temos enquanto dormimos, assemelham-se a cenas de cinema.
Em estado de vigília também sonho. Não com o que é material.
Sonho com o que se vive.
Uma viagem que repõe o espírito no estado lírico.
Uma palavra de apreciação, expressa de forma ímpar.
Um encontro adiado, que acaba por se arrastar no tempo e no espaço.
Uma dança a dois, improvisada na rua.
Um sorriso cúmplice de alguém desconhecido.
Uma mão que segura a nossa, pondo a alma a nu.
Uma paixão que nos leve à cama por dois dias.
Um abraço prometendo um final feliz para uma questão preocupante.
Sonho com o que se vive.

E ainda aguardo surpresas.

17 setembro 2014

As aulas ainda não começaram, Sr Ministro!



Os vosso filhos/netos já começaram as aulas?
O meu filho não.
O meu e todos os alunos do 3º ciclo da escola onde ele estuda.
Todos os anos, inúmeras escolas portuguesas se deparam com a questão da falta de professores ou funcionários quando o ano lectivo está para ter início. No caso das dos meus filhos, não têm faltado professores, mas auxiliares de acção educativa.
Agora, o problema fez com que tanto o Vasco como outras centenas de crianças estejam em casa, em vez de estarem a aprender e a conviver com os colegas.
Contaram-me numa das escolas que o Ministério da Educação não contrata, antes tenta que sejam colocados funcionários de outros ministérios. No Verão, o país para. E, em Setembro, o IEFP é designado para tratar de arranjar funcionários para as escolas.
Colocam-se duas questões, a meu ver muito sérias:
Primeira: segundo me foi dito, estes auxiliares já têm saído a meio do ano lectivo, quando o subsídio de desemprego termina. Tudo leva a crer que são destacados para as escolas sob pena de perderem o subsídio. Será? Eu tentei candidatar-me, mas o Centro de Emprego respondeu-me que apenas o podem fazer as pessoas que ainda ao recebem (pagam-lhes o transporte,almoçam na escola e poupam-se umas “massas”).
Segunda: a colocação nunca é feita em tempo útil. As aulas atrasam. Os alunos saem prejudicados.
Ontem o meu dia começou com uma ida à escola do Vasco. Falei com a directora. Já tinha iniciado as entrevistas. Ainda não se sabe quando terá início o ano lectivo destes alunos. À tarde, falei com a directora de turma. Troquei mensagens com a Associação de Pais.
Eu vou à escola. Represento os Encarregados de Educação de duas turmas. Questiono. Participo. Comunico aos restantes Encarregados de Educação. Candidato-me. Não sei mais que fazer, concretamente, para ajudar na resolução desta questão. Não aceito que o ensino seja cada vez mais negligenciado. Alguém tem sugestões que possam conduzir a uma rápida resolução deste problema?

01 setembro 2014

Pelo aniversário da Patrícia, ontem


Está hoje de parabéns, a minha terceira sobrinha.
Aquela que, aos seis anos, falava sopinha de massa". "Sopinha de canja!" - corrigia-nos logo.
O seu sorriso moldava o mar à proporção das brincadeiras, saltitando entre pocinhas, com o balde na mão.
Quem visse aquela beleza terna adivinhar-lhe-ia um futuro agradável. Porque nunca imaginamos uma vida dura num olhar doce de menina bonita.
Demorou a crescer, o que lhe permitiu dormir na cama de grades do meu quarto até então....

A Patrícia cresceu e cuidou dos irmãos com um enlevo maternal. Coisa natural numa família numerosa, onde, depois dela, ainda nasceram cinco.
Acabou por tornar-se mãe bastante nova. Há tradições que os genes se encarregam de assegurar.
O pai dos primeiros dois filhos passou por problemas judiciais que aumentaram a sua responsabilidade como mãe e condenaram uma paixão precocemente multiplicada.
O segundo amor foi arrancado por um tiro. O pai do terceiro filho e da Daniela, que se desenvolvia no útero, foi assassinado no trabalho, num dos primeiros episódios duma saga de violência na noite portuense.
A Daniela, hoje com seis anos, tem outro pai. O dos seus dois irmãos mais novos. E uma mãe que não desistiu.
Faz hoje trinta e sete anos, aquela cujos dentes de leite ainda conservo e algodão, numa caixinha de ourivesaria.
A mãe-coragem de seis filhos, a quem a vida não tratou com o amor suave que o sorriso terno merecia.
Parabéns, Patrícia!
Todos os dias.

31 agosto 2014

Férias (4)














As férias terminaram há um mês, mas as oportunidades de ir partilhando imagens não têm sido frequentes.
Aqui ficam mais umas que demonstram a beleza dos dias que vivemos.

03 agosto 2014

Retratos de férias (1)


 Estas foram umas férias como eu tinha idealizado


Conheci locais onde a vista gostou de descansar


 Conversei, conheci gente simpática, com histórias interessantes


Em cada local, havia verde para encher o olhar 


A água sempre presente, fazendo-se contemplar e ouvir


Asseio e bom gosto nas diversas praias fluviais


Esplanadas para repor energias e refrescar os pés :-)


Um oásis na montanha


E uma aldeia onde depressa nos sentimos integrados

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