17 outubro 2009

Passou a fase do algodão doce.
Estou de volta à realidade. Cabeça fria, emoções à parte.
Mas com um tecto panorâmico sempre se atenta na beleza da vida enquanto se medita...

14 outubro 2009


A minha amiga inglesa chegou na Segunda. Fica cá em casa oito dias.
O Vasco, muito ciente do seu papel de anfitrião de seis anos (e outra meia dúzia de palavras em Inglês), comentou com a minha mãe:
-Ó avó, já viste? Agora vou ter de falar Inglês durante uma semana! O que vale é que Vasco diz-se da mesma maneira!...

11 outubro 2009

Excerto #3


(fotograma que fiz a partir de um filme do meu tio)

A luz do dia testemunhava poucas novidades, apenas um ou outro empreendimento menos costumeiro, como quando Alberto se dispôs, com mais quatro nativos, a fazer uma viagem fluvial no Luachimo. Estava-se no dia quatro de Julho de 1951. Uma boa canoa de alumínio, pesando cerca de vinte e sete quilos, seria o meio utilizado para percorrer os caudalosos onze quilómetros e meio.
Ainda antes de percorrido o primeiro quilómetro, um aborígene alertou:
- Jacaré!
Bem próximo da superfície aquática em que a canoa deslizava, o animal quedava-se, quieto.
Rigorosa disciplina se impôs, desde logo, a bordo, para que a embarcação singrasse sem oscilações passíveis de fazê-la voltar-se. Não vendo hipótese de deitar o dente a um lauto almoço, o animal submergiu e, a uma velocidade admirável, tratou de virar costas aos homens. Outro surgiria depois, mas a sorte ditaria movimentos semelhantes, para gáudio dos homens.
O susto maior estava ainda para vir.
Decorridas mais umas centenas de metros, eis que surgia, a uns quatro metros da canoa, a cabeça de um hipopótamo, sob rápidos movimentos da água.
Pânico, mas ordem. Uma remada forte, com barulho que chegue para assustar o paquiderme, e este acaba por sumir, também ele, na água.
A sorte não os abandonara: se, em vez de se encontrarem próximos do hipopótamo, estivessem por cima do ponto onde este se encontrava, voltar-lhes-ia a canoa, dando ao crocodilo a oportunidade de lhes fazer a mortalha.
Ao longo do percurso, ainda passariam perto de outro jacaré e seriam acompanhados por mais um cavalo da água, que apenas desistiria da perseguição quando distinguiu os homens já em terra.
Dias depois, e ao tentar abater outro hipopótamo, o prospector dava-se conta de que a arma não picava bem as balas.

09 outubro 2009

Não vou dizer "adeus"


Estou de partida. Novo desafio profissional pela frente.
Estou de saída, mas o coração aperta, os olhos contraem-se, aguados. Sacudo os ombros, cerro os lábios, as despedidas doem, mas esta dói mais.
Ancorada a um porto onde ainda há pouco cheguei, soltar amarras será duro.
Receberam-me bem, senti-me em família, cada necessidade de ajuda prontamente respondida, amizades rapidamente sedimentadas. Uma equipa, não só colegas mas amigos que se visitam, se entre-ajudam, partilham momentos extra laborais, preocupações, carros, bens. Horas que se passam em conjunto. Ansiedades vividas em grupo.
Não quero deixá-los, por isso voltarei sempre. Por um lado.
Por outro, aguarda-me um convite irrecusável. Sei que também gostarei. E espero criar novas amizades. Progredir profissionalmente.
Aprendi muito com o Zé R., o Pires, a Milú, o Zé M., a Manuela, a Lena, o Paulo, o Ricardo, a Filomena. Com o Pedro, também, a quem estou grata por ter acreditado em mim. Não encontrarei outra equipa tão tchanan como esta.
Não acredito que se repitam os convites de improviso para umas moelas (esquece lá isso!) , uma feijoada de coelho, as ofertas constantes de companhia, jogos e “trapos”, as poesias que parece que têm olhinhos.
O ambiente descontraído, o ajoelhar por baixo da mesa como praxe de aniversariante, as piadas em torno de pitons, galinhas, homens-do-cão, tanta coisa… fica tudo gravado.
Venha o jantar e as caipirinhas. Os abraços e os give-me-five! Venham eles, para me ajudar a suster as lágrimas.
A porta não ficou fechada, tal como a da minha casa continuará aberta para vós, os que me ficam guardados no coração. Não vou dizer "adeus". Direi "até já", uma vez e outra, e outra...

(a bold, expressões que os mencionados no post certamente reconhecerão)

07 outubro 2009


Um dia que começa com abraços e beijos, continua com boa conversa e segue com um almoço de amizade e cumplicidade, de sonhos e concretizações, tem tudo para ser bom.
Se se prolongar por mais umas horas de convívio e risota, disparates e promessas, e terminar num jantar confuso de miúdos imparáveis e mães cheias de speed, acaba por ser um dia em cheio. Assim foi o meu dia de hoje.
Como dizia uma amiga há dias: TENHO A ALMA EMBRULHADA EM ALGODÃO DOCE.

05 outubro 2009

Há tanto tempo!


Há muito que eu não saía para um concerto.
Fui na senda de um convite inesperado. Ultimamente, é assim...
Fui em boa companhia. Boa música, execelente interpretação da Cristina Branco. A Cristina, além da simpatia e da modéstia, tem um timbre de voz tão potente enquanto canta quanto acolhedor enquanto se dirige ao público, apresentando as músicas, num dos concertos de divulgação do álbum Kronos.
Com uma carreira de treze anos, a cantora editou já onze álbuns, tendo recebido, em 1999, o Prix Choc da revista Le Monde de la Musique pelo melhor disco de música do Mundo.
Um serão diferente, com a vida a comprovar-nos que flui indefinidamente, que nos reserva surpresas boas. Acordes milagrosos, ritmos mais alegres combinados com trechos melancólicos, fado e bossa nova, numa composição de convívio e bem estar que ultrapassa o dizível.
Como costumo dizer, não basta estarmos vivos. É preciso que nos sintamos vivos.

04 outubro 2009

Não há estrelas no céu?


Tens razão, Rui. Havia poucas estrelas no céu.
Mas houve uma estrela, uma grande estrela, no palco: TU!
Foi muito bom termos-te de volta. Não pela cultura, que isto que fazes, subir ao palco, tocar umas melodias e cantar é só lazer, como diz o outro... (grande besta, né?)
:-)
Volta sempre. Temos todo o tempo do mundo para ti.

02 outubro 2009


De manhã. Últimos momentos em casa, preparando-nos para sair.
Ele reapara na écharpe e pergunta-me:
-Ó mãe, vais trabalhar com essa coisa ao pescoço???

29 setembro 2009

Momento único


(foto da minha amiga "siamesa"; ela sabe quem é...)

A manta de Outono feita de folhas convidou-as. Aceitaram o convite e atiraram-se sobre o tapete relvado, pontuado destas folhas que ambas adoravam. As siamesas, não nascidas juntas mas unidas pelo coração, so to speack. Mulheres de emoções, todas viradas para o pormenor, seja ele um arco-íris, um sorriso, uma mão de criança, uma pintura dum filho. Os abraços acumulados já exigiam braços de polvo, os quatro das duas já não chegavam.
Ficaram deitadas, lado-a-lado, olhando para o céu, apreciando o céu azul, manchado de branco, enquanto os dedos de conversa transcorriam, soltos e cúmplices. Passaram horas, o cheiro a terra envolvendo-as num cenário que parecia durar apenas alguns minutos, porque a amizade pede tempo e a confiança apazigua a alma.
Os passos, mais ou menos apressados de quem ia e vinha, os risos dos adolescentes, os chutos na bola dos miúdos que brincavam, a delicadeza do toque suave dum casal de idade, tudo era apenas moldura. Parecia um filme. Um momento perfeito, único. A comprovar a importância da proximidade, ainda que à distância.

27 setembro 2009

Viva a Aventura!


Foi há uma semana. A Mafalda escalou a parede completa, a mãe babou enquanto metade das pessoas que se encontravam na iniciativa desportiva de Cascais pasmava com a menina afoita de três aninhos a subir até ao topo prestando atenção a cada pormenor de colocação de mãos e pés.
(desculpem a baba...)


26 setembro 2009

Sugestões aceitam-se

Mais um fim-de-semana no papel de solteira sem filhos.
Viciada na escrita e na leitura, sinto, porém, saudades de um bom filme.
Reconheço que ainda tenho muito que aprender no que toca a proporcionar-me momentos de laser, mas vou esforçar-me por isso.
Assim, pergunto-vos: que filme me sugerem que reserve para saborear após a habitual actividade mais-ou-menos-alucinante-dos-Sábados? Pensei no Australia. Também já ouvi boas críticas ao Quem quer ser bilionário. Confio em vós. Venham as sugestões.

23 setembro 2009

Excerto #2

(fotograma captado por mim, de um filme do meu tio. Anos 50, na Lunda)


O trabalho nos dias de semana terminava mais cedo que na mina. Porém, o serviço era completamente diferente e perigoso. Cada mês conhecia bastantes quilómetros de levantamento topográfico, feito à bússola. Desenhava muito, o que era do seu agrado.
O seu mundo resumia-se agora a uma placa africana de uns dez quilómetros de raio, bem povoada de bicharada, sendo a sociedade um pequeno número de nativos. Sentia-se bem, vivendo isolado como desejava. A vida era trabalho e caça, leitura e sono.
O trabalho, não sendo muito, tinha o senão de se tornar, por vezes, incómodo, já que implicava a passagem por pântanos. Os sapatos de ténis tornaram-se o calçado rotineiro.
Aos fins-de-semana, inicialmente, Alberto ainda se encontrou com Marques e ensaiou umas lições de condução. Depois, porém, foi avançando no levantamento topográfico, em direcção ao Fundulo e a distância aumentou, não permitindo tais encontros.
Era a Natureza quem imperava naquelas paragens.
Planícies inteiras ficavam por cultivar, devido à presença do leão. A Sul, no Quando, leões e elefantes punham em estado de sítio a região.
- Acudam, socorro!
O grito provinha de um branco, na Vila Gago Coutinho. A fera abocanhava um jovem, num tumulto espalhafatoso de sacudidelas e berros. O tempo pareceu arrastar-se sem fim, naqueles breves instantes em que uma multidão de nativos e brancos se acercou da fera e da sua vítima, soltando clamores e atirando pedras. O animal avaliou rapidamente a sua inferioridade táctica e pôs-se ao fresco, deixando para trás o indivíduo, mal tratado mas livre de perigo.
A seiscentos metros do acampamento, também já Alberto vira um casal destas feras, num aviso implícito aos homens que exploravam o seu território.

21 setembro 2009

Outono, novamente


Sinto-te nas curtas horas de luminosidade.
Nos finais de tarde varridos a vento, o corpo a pedir agasalho.
Sinto-te nas noites frias que decorrem num quarto virado a Norte.
Nas folhas que começam a atapetar as ruas. Amarelas, algumas, outras ainda esverdeadas.
Sinto-te nas saudades de um chá em companhia, umas castanhas comidas directamente do cone em papel de jornal.
Podes vir, cá estarei para te abrir a porta. Deixar-te entrar e ficar enquanto é tempo. Mas não demores demasiado, nem tu nem o teu companheiro Inverno, combinado?
É que o Verão ainda agora acabou. E, apesar de cada ano que passa eu apreciar mais os teus tons, os dourados que lembram a troca de roupas de uma estação quente pelas de uma estação fria, já sinto a falta dele...

12 setembro 2009

Viciante, O Escrito a Quente???

Quase me dá vontade de dizer "deixa-me rir", mas não quero, nem de longe nem de perto, que o Carlos, do blogue Conversas Daqui e Dali, me leve a mal.
Foi ele quem atribuiu esta distinção ao EQ. Muito obrigada, Carlos. Só espero que não seja contagioso o estado do senhor acima fotografado :-)
Este prémio tem como regras não apenas a enumeração de três compromissos que nos propomos cumprir, como a atribuição do mesmo a dez outros blogues.
Assim sendo, comprometo-me a:
1- Não querer fazer Roma e Pavia num só dia
2- Chegar ao final deste ano com um panorama profissional bem lançado
3- Dar uma maior proridade às horas de sono
Quanto aos blogues que destaco (e tive o cuidado de não repetir nenhum dos que o Carlos enumera), são eles:
1- Ares da Minha Graça, pela veia de escritora da Patti, que nos conta histórias muito bem narradas, sejam elas invenção da sua imaginação ou crónicas de episódios reais.
2- Só falta um trinta e um na minha vida. Humor mordaz e uma actualidade acutilante. Não dispenso.
3- De Si para Si, pela imaginação inesgotável. Sempre criativa, qualquer coisinha lhe serve para desencadear um enredo; até as caixas de comentários.
4- De Amor e De Terra, da Maria Mamede, uma poetisa de mão cheia. Poética também na forma de estar na vida.
5- Vekiki. A autora é "aquela máquina", no dia-a-dia super-ocupado, mas ainda consegue imaginação e disponibilidade para nos presentear com muitos livros, relatos do quotidiano e fotos lindas aguardam-nos num cantinho que cheira sempre a bolos e a bom acolhimento.
6- Bettips. Fabulosas fotos e uma escrita ,muito própria fazem com que este blogue seja local de passagem sempre agradável.
7- Fotos Fernanda. Mais um blogue de viagens pelas fotos, sempre inebriantemente belas.
8- Pitanga Doce. A simpatia duma Portuguesa que criou raízes além-mar, embelezada por acordes brasileiros e relatos com sabor a caipirinha.
9- Palavras em Desalinho. A Carla consegue, como ninguém, aliar a sensualidade à poesia num tom envolvente e cheio de beleza.
10- Duas Lentes. Um blogue de fotografia onde tenho paragem marcada diariamente. O nosso blogue.

(cada blogue com link na barra lateral do Escrito a Quente)

09 setembro 2009

Setembro

Aproxima-se o Outono.
Para mim, apreciadora de dias quentes e noites calientes, é tempo de nostalgia.
A luz já não nos brinda tantas horas, o escuro vem mais depressa. Já não ficamos na praia até depois das oito e meia. Não sentimos mais que temos todo o tempo pela frente.
A época escolar está prestes a ter início, o Verão em vias de terminar.
Ficam as cores, o cheiro da maresia, que se mantém ao longo do ano.
Fica a memória dos grãos de areia entre dedinhos dos pés, que sentiremos ainda umas quantas vezes.
O chapinhar de miúdos e os mergulhos dos graúdos. As gargalhadas e as amizades feitas na hora.
Acompanha-nos a lembrança das cumplicidades alicerçadas no calor dos finais de dia e nas horas nocturnas.
Em suma, o regozijo pelos laços criados, pelas oportunidades aproveitadas, pelas metas atingidas.
Já não temos o Verão pela frente; temos a vida toda.

03 setembro 2009

A Vida (Mário Quintana)

(foto retirada da net)


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.


Quando se vê, já são seis horas!


Quando se vê, já é sexta-feira...


Quando se vê, já terminou o ano...


Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.


Quando se vê, já passaram-se 50 anos!


Agora é tarde demais para ser reprovado.


Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.


Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.


Desta forma, eu digo:


Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,pois a única falta que terá,será desse tempo que infelizmente não voltará mais.



Mário Quintana

01 setembro 2009

Qual o inverso...


... de envolvimento?

Explicando melhor: como se designa o retroceder de um envolvimento?


DESENVOLVIMENTO???

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin