28 julho 2009

Tristeza

Foi a segunda vez que me deparei com uma cena destas .
Consumindo as derradeiras energias num estertor letal, gatos contorcendo-se no meio da estrada. Triste demais.
Se a primeira cena se passou há anos, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, e não me saiu da cabeça, esta não me largará nunca.
São flashes que voltam à memória uma e outra vez. O terrível espectáculo de um ser inocente num movimento desenfreado de dor, de desespero. Desespero que se entranha em quem assiste ao acontecimento.
Há uns doze anos, numa avenida em que eu própria seguia ao volante, com uma série de outras viaturas atrás de mim em velocidade constante, a única coisa que pude fazer foi contornar o animal, evitando tocar-lhe com alguma roda. Ficaram as lágrimas e a triste lembrança.
Hoje, porém, a minha atitude foi outra. Pedi a quem conduzia que parasse o carro. Sinais de luzes para quem se preparava para cruzar o entroncamento. “Que se passa?”- ainda perguntou a senhora.
Eu, precipitei-me numa ânsia protectora para aquele minúsculo gatinho que esgotava a vida numa luta perdida. De início, nem sabia onde era o seu ferimento. Sangue, pedacinhos na via de circulação.
Cá dentro, ansiedade. Cabeça fria, no entanto, que nestas alturas nunca perco o raciocínio.
Apliquei todo o meu carinho no gesto de pegar naquele peso-pluma. Um bebé preto, que revelou uma cabecinha esfacelada. Um coraçãozinho precipitando-se para a eternidade.
E foi no mimo das minhas mãos que ele se despediu deste sofrimento. E eu fiquei assim, como estou agora. Mas com a certeza de que fiz o que devia ser feito e que ele partiu cheio de carinho.


Escrevo este post "pesado" com o intuito de recordar a cada um de vós o que o meu instrutor de condução costumava frisar: um carro é uma arma que temos nas mãos.

27 julho 2009

Escrito a Quente pela Maria Mamede

(foto da minha amiga Elisabete)
Numa das poucas rondas que ultimamente tenho empreendido pela blogosfera, deparei com uma poema da Maria Mamede cujo título é, nem mais nem menos, que o nome do meu blogue.
Porque a Maria Mamede foi a primeira amizade que criei no blogobairro e, sobretudo, porque este é, como todos os seus poemas, um bom momento de leitura, aqui o deixo para que o apreciem (espero que como eu o apreciei).

ESCRITO A QUENTE
Escrito a quente
nas veias
nas têmporas
nos pulsos
escrito a quente
corpo e alma
e o tormento da sede...
assim me sinto
e te sinto
na lonjura da saudade!...


Maria Mamede

23 julho 2009

Quero voltar


(Quero voltar à história que iniciei há demasiado tempo. Uma história de viagens no tempo, de aventura, de coragem.
Durante meses, mergulhei num ambiente que nunca conheci, até porque o enredo passa-se entre 1948 e 1964. Nada me fazia deslocar a minha dedicação para outra coisa. Tendo os dias por minha conta, estudava, pesquisava, encetava contactos, passava documentação a pente fino, transformava os antigos super-8 em dvd's.
Circunstâncias diversas levaram-me a suspender esta paixão. Ora, como se sabe, uma paixão suspensa é uma história não resolvida.
Deixo aqui um vislumbre do que estou a falar. Por várias ocasiões publiquei neste blogue excertos desta escrita, ou textos a ela relativos. Agora, mesmo sabendo que a motivação vem de dentro, incito-vos a opinar acerca de parte do que escrevi. Abaixo fica um texto digamos, de abordagem. Futuramente aqui trarei alguns excertos, porque o retorno, a avalição pelos outros, valem tanto ou mais que a auto-motivação.
Tenho dezenas de páginas que me chamam, insistentemente. E me levam a querer reatar. Porque a paixão não arrefeceu...)

Hoje, 43 anos decorridos sobre a tua morte, chegas junto de mim, trazendo-me uma história.
Chegas por cartas, histórias e filmes. Chegas em novas fotografias e em questões recentes.E eu descubro um um profissional, um aventureiro apaixonado pela vida, que parte para Angola deixando cá as suas âncoras.
Sais em busca de melhores condições e descobres um mundo inimaginável, do qual não mais te separas.
Angola, em 1948, é capim e trilho no mato, mas é também piscina, cinema e condições médicas superiores, nesse ambiente à parte, que era o da Diamang. Animais assustadores, nativos desconhecidos, distâncias incalculáveis. que depressa se convertem em animais apaixonantes, colaboradores dedicados e percursos aparentemente curtos.
Apesar de teres ido para onde ninguém conhecido te esperava, nunca te lamentas, antes te entusiasmas.
Não há desgosto que te arrase, nem leão que te amedronte. As intrigas não te derrubam; tu és coragem e determinação. És sensibilidade e fortaleza, subordinado e chefe.Pões a minha imaginação a mil, fazendo desfilar navios, trilhos, caçadas,trovoadas e mosquitos, colegas, festas, diamantes, feras e paludismo, num caleidoscópio que é passaporte para a tua realidade.
E és escritor e cineasta, amor e desamor, prosperidade e privação.A telefonia, a câmara de filmar e a máquina fotográfica são tradução dum trabalho duro mas envolvente, duma experiência de vida que acabará por ser, também, de morte.
Aventura, descoberta, saudade, paixão, amizade, diamantes, Natureza, calor, paisagens deslumbrantes, África, tragédia. Tudo isto és tu, numa história que agora me contas e que eu ouço estarrecida, expectante e absolutamente maravilhada.Uma história que eu prometo contar, um dia.

22 julho 2009

Parabéns

Somos tão diferentes, temos as nossas "turras" como qualquer binómio mãe-filha, mas o amor é omnipresente.
Embora não lides bem com estas datas, aqui te deixo os parabéns, do coração. Deixa-me lembrar-te que fazer anos é sempre melhor que não os fazer.
Por isso, deixa-nos incitar-te a soprar as velas.

18 julho 2009

(foto minha)

A vida oferece-nos todos os dias novos frutos.
Por vezes, estes vêm simultaneamente com as flores.
Aí, é um "dois-em-um" que torna a vida ainda mais saborosa.

16 julho 2009


Numa escala de um a dez, diz-me quanto gostas de mim.
Espera; não te apresses. Vê o meu lado lunar, repara nos meus senãos.
Na ansiedade de que sou feita, na dispersão de atenções, no frenesim, na tendência para corrigir os erros de português seja de quem for. Nota que não rodeio as chamadas de atenção, não engulo injustiça nem deixo de me bater pelo que acho que mereço.
Depois, repara que cada vez estes aspectos se acentuam mais. É a idade…
Já não ando em voltas, vou directa, corto a direito. É assim e “mai nada”.
Mas também sou mulher para dar tudo. Entregar-me de alma e coração. Para isso, basta acreditar. Mimo cada dia cada pessoa que me é querida, sou amiga para respeitar o espaço de cada um sem me impor, mas nunca fico que tempos sem dar notícias, é ou não é? Combino, converso, apareço, telefono, mando email ou sms, escrevo ocasionalmente, faço por não falhar.
Repito com frequência “gosto de ti”, “adoro-te”. “Amo-te”. Não tenho medo de usar as palavras, tal como não receio pôr em prática os gestos relacionados com o amor. As várias formas de amor, da qual, como sabes, a amizade é a mais sublime, e o amor pelos filhos a mais inquestionável.
Posso não ter nada, mas não abdico daquilo a que tenho direito. Nem privo aqueles que amo do que há de melhor: o retorno da expressão do sentimento.
Por isso, pensa bem, porque volto a perguntar-te: de um a dez, quanto gostas de mim?

15 julho 2009

(foto minha)
Porque há palavras que não cabem num blogue.
Porque há momentos que não se apagam da memória.
Porque há emoções que se prolongam na linha do tempo.
Porque o coração bate cada dia a um ritmo diferente.
Porque há histórias inacabadas, umas inventadas por nós, outras vividas na realidade.
Porque o sumo da vida está no sentimento.
Porque a amizade não se define, sente-se.
Porque o amor tem princípio e pode ter fim.
Porque não há amor maior que o que nutrimos pelos filhos.
Porque o entusiasmo provém dum desafio, duma emoção ou dum reencontro.
Por todos estes motivos, e por tudo o que sinto, sei que a vida pode ter vários inícios. Qualquer momento pode ser o de um novo começo.

13 julho 2009

Boa semana

... tenham uma boa semana.
O treze é, por tradição, associado ao azar.
Não na minha família.
Hoje, treze de Julho, faz anos que passei no exame de condução.
Uma semana que começa que começa num dia treze tem de ser boa. Para todos.

07 julho 2009

Pausa na rotina

Por um curto período, não vou escrever.
Vou acumular vivências, emoções, sentir apenas o passar dos dias. Cada hora é única. Não há replay na vida.
O Verão costuma ser o período de descontracção. Por uns dias, treino o desprendimento do computador e aprofundo um amor amadurecido: a literatura.
Até breve!

05 julho 2009

O valor do silêncio

(foto minha)

Algo que me é imprescindível: o silêncio. O silêncio é escasso e, como tudo o que escasseia, é um bem raro.
Quem tem crianças, daquelas cheias de genica como as minhas, sabe do que falo. Silêncio não é compatível com eles.
No entanto, o silêncio faz falta. É a pausa para respirar fundo, para pensar, para descontrair. Essencial para que não nos esqueçamos do que vamos fazer. Digo, por vezes, que preciso de ouvir os meus pensamentos.
Adoro o riso. O som das ondas. As pedrinhas sendo arrastadas por estas, na beira da areia. A explosão de quando saltamos para a água. Não passo sem música. Delicio-me com as cantiguinhas infantis. O rumorejar das águas de um riacho. Pingos de chuva são também, por vezes, apreciados. A emoção das exclamações dos abraço tantas vezes adiados no tempo. O ritmo mais ou menos sussurrado de dois corpos saboreando-se.
Mas o silêncio… o silêncio é uma excelente companhia. Renova-me as forças. Inspira-me para sonhar. Faz-me recuar aos projectos que aguardam a minha atenção. Aos momentos passados com quem já partiu. E planear o que quero que seja o futuro.
Gosto da companhia do silêncio.
E agora, silêncio, que… vou dormir.

03 julho 2009

Férias escolares

(Biblioteca de Oeiras. Imagem retirada da net)
Três meses contêm muitos dias. Horas mais prolongadas para quem tem seis anos, que não compreende porque é que, para os adultos, o tempo passa depressa.
Há que preencher as horas, os dias, para que os meses não sejam "uma seca".
Não é difícil quando se tem um filho que se interessa por tudo.
Assim, se num dia vamos à praia e noutro a casa de amigos, haverá alturas em que ficamos em casa a completar puzzles ou a jogar xadrês. As revistas com passatempos são devoradas, há desenhos que ganham forma e cor e passeios que nos refrescam por dentro e por fora.
No outro dia, na senda de um cd cujas músicas o Vasco queria que eu lhe gravasse, acabámos por nos tornarmos sócios da Biblioteca de Oeiras. Maior que a de S. Domingos de Rana, é também mais apelativa do ponto de vista estético e dispõe de um acervo muito mais vasto.
Agora que já lê, as alternativas para ocupação do tempo livre multiplicam-se, mas a curiosidade desta vez recaiu sobre os desenhos animados que eu lhe referi que eram os da minha meninice (isto é, da minha meninice mais tenra, pois todos sabem que conservo uma parte de criança para dosear em pequenas porções libertadas ao longo dos dias).
Assim, se eu trouxe mais um título para ler (tenho milhares, mas não resisto a um que não tenha), A Paixão de Colombo, da Margarida Pedrosa, o Vasco optou por trazer os pretendidos cd's e os dvd's do Vickie, do Bugs Bunny e do Dartacão.
Lembram-se?

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