27 dezembro 2009

Lobo Antunes, que bem que sabe...

(foto retirada da net)

- Como estás tu?

ou seja a pergunta mais difícil de responder que conheço. Nunca sei como estou. Estou hexagonal. Estou cor de laranja. Estou chato como a potassa para mim mesmo. Faz-me uma pergunta menos complicada, Júlio.

Este o mote da minha escrita, hoje. Uma crónica de António Lobo Antunes, de que transcrevo um pequeno excerto.

Estou sozinha. Normalmente faço boa companhia a mim mesma.

Mas desta vez sinto algum vazio que me impele a não parar. De ver televisão (coisa que poucas vezes faço), de passar pelos blogues, de preparar roupas ou planos de trabalho.

Os miúdos estão com o pai e eu não reconheço o silêncio. Embora este me faça falta, para ouvir os meus próprios pensamentos.

Preciso de me ocupar. Com quê? Uma história continua à minha espera, mas a imaginação evadiu-se.
Há prateleiras e prateleiras de prosa e poesia ansiando por serem lidas. Há um sofá, em que raramente posso descansar, a chamar por mim.

Há pensamentos turbulentos e mãos frias. Momentos que se alongam.

Gostaria de saber escrever-vos poemas. Não sei.

Vou mimar o sofá. Passar os dedos e o olhar pelos livros.

Prestar atenção a um filme, ou a mais um episódio de séries de crime, como fiz ontem.

Com uma manta no colo, e a consciência de que se devem aproveitar todos os momentos,
especialmente os raros.




12 comentários:

BlueVelvet disse...

É verdade. Este homem diz as coisas mais simples mas que nós não encontramos palavras para dizer.
Também estou hexagonal.
Beijinhos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Subscrevo o comentário da Buevelvet sobre o ALA.
Não estou hexagonal, mas para lá caminho. Amanhã espero lá chegar ao fim da manhã.

gaivota disse...

não me façam perguntas chatas que dão muito trabalho a responder...
é como que um recado!
é da época, fica para trás tudo o que não foi dito ou não foi feito...
fica bem , anima~te
beijinhos

Pjsoueu disse...

Procuremos desenvolver entre nós o amor fraternal e estimulemo-nos a fazer o bem...animemo-nos uns aos outros...”

Feliz Ano Novo!

Beijinhos

Pj

Meg disse...

Filoxera.

Não hexagonal, mesmo octogonal!
E o ano não há meio de passar, para se acabarem estes dias de tanta solidão acompanhada!
e... por favor... não me faças perguntas chatas que dão muito trabalho a responder.

Tem um FELIZ ANO NOVO

Beijos

Maria, Simplesmente disse...

Filoxera........... com tanto à sua volta e tão... sem vontade de nada!
Não se pode parar, não se deve parar, temos de aproveitar, cada minuto... cada segundo da nossa vida, para não nos arrependermos um dia.
Faça o que achar que é mais importante... olhe à sua volta e para a frente é que é o caminho.
Não se esqueça que em algum lugar... alguém poderá desejar de si uma palavra amiga, aproveite essa disponibilidade.
Um Bom Ano de 2010
Beijo da Maria
D.

De Amor e de Terra disse...

Há muitos, muitos anos, (31) comecei por sentir algo semelhante. Mas não há nada que o tempo não amenize; por vezes até acaba por curar.
Sei que a princípio é complicado, mas tenta minha querida, tirar partido do silêncio e da solidão para te acompanhares, rodeando-te daquilo que amas fazer. E faz passeios a pé; dão energia e cansam, que às vezes também é preciso cansar o corpo para dar sossego à mente.

Beijos e um 2010 com as coisas boas que o que termina não pode dar.

Maria Mamede

Chousa da Alcandra disse...

Pois eu hoxe síntome...simplemente poliédrico.

Beijos irregulares

Maria disse...

São momentos, que logo logo passam.
Às vezes é bom ficarmos enroscados num sofá, a ver um filme, ou a ver... nada...

E sem perguntas, para não ter que haver respostas!

Beijinhos

Pitanga Doce disse...

Esse é um grave "defeito" de nós mães. Quando os miúdos se vão, não sabemos o que fazer com o tempo que é só nosso. Talvez porque já tenhamos perdido o costume de ter o tempo para nós.

beijos de boa noite

Antonio saramago disse...

Há sempre dias que nos deixam ou põem fora de nós mesmos e muitas das vezes sem razões aparentes para tal.

BOM ANO AMIGA...

Goldfinger disse...

Filoxera

Quantas vezes, rodeado de pessoas, olho em volta e estou sózinho.
A solidão nem sempre é estar só. E tem momentos que estar só faz falta.

Sei que não é o caso e por vezes é preciso "abanar" e fazer cair dos galhos da àrvore da vida os que estão secos. Só ficarão aqueles que nos fazem falta e esses têm de ser cuidados e regados todos os dias.

Beijinhos e um 2010 com tudo de bom para si.

António

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