
O meu filho adora ver os programas do Odisseia sobre a vida animal. Até eu, que não perco, normalmente, tempo a ver televisão, se me deparo com estes documentários, não consigo descolar do ecrã.
Ontem, enquanto prestávamos atenção a um destes programas, dei por mim a falar-lhe da campanha que, em miúda, costumava ver nos combóios, pela defesa e preservação do lince da Serra da Malcata.
Na altura, o cartaz, que surge aqui no início do post, nem me cativava. Confesso que aquele ar de poucos amigos do bicho não me inspirava grande empatia. O que me tocou foi o facto de o animal se encontra em vias de extinção. Normalmente, em crianças somos sensíveis a questões do foro ecológico, às vezes com maior interesse do que os adultos.
Referi ao Vasco esta campanha e disse-lhe que depois lhe mostraria as fotografias do animal.
Eu sou assim; adoro histórias, lamento que as memórias se percam de uma geração para outra. Quem me conhece, sabe o quanto sou capaz de investir na investigação e no revivar de memórias.
A juntar a isto, a minha paixão por felinos lançou-me na pesquisa de artigos na internet acerca deste lindo gatinho, quase inexistente na Península Ibérica.
Fiquei a saber que em todo o mundo existem apenas 4 espécies de linces. O ibérico é um deles.
Há duzentos anos, estava presente em quase toda a península, e em algumas áreas do Sul de França.
Contudo, desde meados do século XIX, as populações deste felino começaram a diminuir, em resultado da acção do Homem e das alterações no habitat.
Apenas 2 ou 3 agregados populacionais poderão ser considerados viáveis a longo termo.
O lince-ibérico selecciona habitats de características mediterrânicas, como bosques, matagais e matos densos.
A sua alimentação é constituída por coelhos, mas, se estes lhe faltam, opta por consumir veados, ratos, patos, perdizes, lagartos, etc.
Trepador exímio, este felino é um animal nocturno por excelência. Cioso do seu território, um macho normalmente não partilha o seu espaço com outros machos, mas não se oporá a fazê-lo com uma ou diversas fêmeas.
Acasalam nos primeiros três meses do ano, tendo a gestação uma durabilidade entre 63 e 74 dias. O mais comum é nascerem 2 crias, mas o número varia entre 1 e 4, sendo que neste caso as lutas por comida acabam por condenar à morte os mais fracos, salvando-se apenas um ou dois. Ao fim de um ano de cuidados maternos, autonomizam-se e deixam o grupo familiar.
As ameaças à sobrevivência desta espécie são o desaparecimento gradual de populações de coelhos bravos, a pneumonia hemorrágica viral (que acabou por infectar os próprios coelhos, também), as armadilhas para caçar estes roedores, a destruição dos habitats mediterrânicos, os atropelamentos e, para vergonha dos homens, a caça ilegal…
Estima-se que, em todo o mundo, não existam mais de 150 indivíduos desta espécie. Em Portugal, está «virtualmente extinta», de acordo com a Quercus.
Um
programa de reprodução em cativeiro está a ser desenvolvido em Espanha, onde existem já três centros de reprodução. Para tal, linces que estejam em subpopulações inviáveis terão que ser capturados. Em Setembro entrará em funcionamento um quarto centro, na Extremadura. Estes centros têm por objectivo não só a recolha de animais feridos e crias abandonadas, e a criação em cativeiro, com o objectivo de libertar posteriormente os indivíduos, mas também a salvaguarda da diversidade genética da espécie e o estudo da biologia e ecologia do lince, bem como as doenças que o afectam.
Por cá, o primeiro centro de reprodução de lince-ibérico deverá começar a funcionar no início de 2009. O centro será construído em Silves e resulta de um acordo de cooperação entre Portugal e Espanha. Pretende-se recuperar os habitats para poder reintroduzir o lince em quatro pontos da Rede Natura, como é o caso da Serra da Malcata, lá para 2011.
E agora, digam lá: não vale a pena desesnvolver todas as iniciativas de preservação destes "gatinhos"? Basta olhar para a foto abaixo, de três exemplares nascidos já em cativeiro, para não hesitar na resposta...