03 julho 2011

Olho, num relance sem importância, as palavras que rabisquei ontem num bloco de apontamentos e não sei porque me detive a assentar ideias tão triviais.
O que me terá conduzido ali, feito depositar naquela folha tais imagens peregrinas, tão sem jeito hoje, tão não-minhas?
Deve ter a ver com os ímpetos desconcertantes de quem escreve por necessidade de equilíbrio. Uma qualquer falha de razoabilidade, a mesma que me faz andar sempre com um pé no chão e o outro sabe-se-lá-onde…
Porque o terei feito? Talvez tomada por um assomo instantâneo de pretensiosa psicose...? São notas esparsas, sobre coisa nenhuma, bem mais interessantes do ponto de vista clínico -pelo menos para certos clínicos ligados à área da saúde mental- do que para quem quer que aprecie a leitura de uma crónica que divirta ou dê que pensar.
Sempre achei que, a qualquer criatura que sinta necessidade de criar (e falo de criar o mais miserável texto ou a mais completa sinfonia, o mais singelo quadro ou a coreografia mais arrebatadora), devia a lei conceder períodos de tempo exclusivos. Para que pudesse dar largas à sua obra (e quem diz obra, diz disparate, também- porque não?), num contexto totalmente afastado da realidade. Assim. Sem mais nem menos.
Apenas a dedicação ao ímpeto criador. Sem empecilhos mesquinhos. Agenda, família, documentos para entregar no banco, reuniões de condomínio, toda e qualquer tarefa doméstica absolutamente renegadas para contexto secundaríssimo.
Para que o processo criativo possa fluir, sem espartilho. Respirar, inundar de vida o espírito que as imaginou, permitir-lhe a aproximação à qualidade.
Para que as criações não sejam produtos fugazes de mentes tolhidas, destinados ao ecoponto. Sem direito a exéquias ou elogio fúnebre.
Como acontece com esta minha divagação.

9 comentários:

Maria disse...

Por isso às vezes parecemos ser... ou somos (???) duas em uma :)))

Beijos.

Luis Eme disse...

pois...

mas isso fazia parar o mundo e depois não o observávamos e não recolhiamos matéria para escrever. :)

beijinho Filoxera

Mel de Carvalho disse...

Um dia li: leio para recordar, escrevo para não esquecer.
Talvez seja por ai, Filó. Seja por ai a tal "necessidade" de sistematizar notas ...
Gostei de a ler e, de algum modo, senti-me "lida" :)
Beijinho
Mel

momo disse...

bellisima divagación...
hoje tengo el alma un poquiño melácolica y me apetece seguir leyendote ...paseando por esta orillla.
beijos veraniegos

Jony River disse...

Filo, devias divagar mais vezes...gostei muito de te ler rumo a lado nenhum...

N. Barcelli disse...

Mas eu gostei da tua divagação.
É vulgar no dia seguinte não gostarmos nada do que escrevemos. Não faz mal, deita-se fora ou reescreve-se.
Mas, para criar a sério, é necessário poucos ou nenhuns compromissos... Tens razão, por isso...
Beijo, querida amiga.

Fernando Esteves disse...

Escreve...
Escreve sempre!
Eu gosto sempre do que escrevo! Digo-o a quente e a frio...
No momento (em que escrevemos) em que foi escrito fazia sentido! Naquele preciso e precioso momento!

Eu, por exemplo sou "dois ou três"!... Por vezes, mais!

Uma curiosidade: tenho quatro blogs...
Um de futebol... com muitos visitantes e muitos comentários...
Um de prosa ligeira... com "quase zero" comentários...
Um de poesia (em que assino como homem que sou)... com um comentário ou outro de vez em quando...
Um de poesia (em que assino como mulher)...
...Tenho dezenas de comentários por poema...

Gosto de tudo o que escrevo. Mesmo daquilo que não tem qualidade (para quem assim decide...)

Gosto de ler aquilo que também gostava de ter escrito... Como o que acabaste de escrever!

"Deve ter a ver com os ímpetos desconcertantes de quem escreve por necessidade de equilíbrio".

Disseste e está dito!
:)

bettips disse...

Se a alma escreve - sempre que pode - é precioso esse "falar".
Pretensioso ou não, é nosso se apenas de nós vem.
Abçs

Pastelaria disse...

Olá Filoxera ..

Antes de mais , parabéns pelo Blogue... ! Gostei do que vi

Gostaríamos muito que desse uma vista de olhos no projecto DVB, de saber a sua opinião, e qual o interesse em desenvolver o seu trabalho neste novo formato.

\"Transformamos\" os seus trabalhos (já editados em livro, ou não ...), num DVB- Digital Video Book, uma ideia original da Pastelaria Studios Productions

O projecto é recente, é uma inovação, tal como explicamos no nosso blogue:

http://pastelariaestudios.blogspot.com/

É exactamente isso, os seus poemas seriam "transformados" num DVB . Um livro que se vê como um filme ( com menu , extras, biografia, capítulos, etc... )

Não somos uma editora e prestamos essencialmente um serviço criativo.

A minha sugestão seria, enviar-nos os seus \"registos\", e nós faremos um orçamento.

Posso adiantar que, por ser um projecto novo e, embora o trabalho criativo (audio, voz, imagem, construção do DVB, etc) seja bastante, queremos chegar ao maior número de autores de obras escritas, mesmo que essas estejam (ainda...) na gaveta .

Realizamos e produzimos, também , Audio Books

Fico a aguardar uma resposta e, qualquer dúvida… estamos por aqui.

A sua opinião é muito importante para nós, pois só assim conseguiremos crescer e melhorar sempre ! e.... porque não, arriscar ?!

Sem compromisso, escolha um dos seus poemas ou textos … e nós realizamos uma pequena amostra do nosso trabalho, é um presente nosso …para si …. :)

Um grande abraço desde aqui

Teresa Maria Queiroz

pastelariaestudios@gmail.com

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