18 julho 2011

Nélson Mandela completa hoje 93 anos de uma vida totalmente consagrada à afirmação da dignidade humana e à luta contra a opressão racial na África do Sul.
Uma vida de luta contra a desiguadade, motivada pela esperança e pelo espírito combativo que, finalmente, o conduziu ao Prémio Nobel da Paz e à presidência do seu país.
Em homenagem a este lutador incansável, deixo as suas próprias frases, extraídas da obra autobiográfica Longo Caminho para a Liberdade:

“Eu não nasci com fome de liberdade. Nasci livre- livre de todas as formas minhas conhecidas. Livre para correr pelos campos perto da cabana da minha mãe, livre para nadar no ribeiro claro que atravessava a vila, livre para assar milho sob as estrelas e montar na garupa larga de toiros vagarosos. Enquanto obedecesse ao meu pai e respeitasse os costumes da minha tribo, não me incomodava com as leis do homem ou de Deus.
Foi só quando comecei a aperceber-me que a minha liberdade de criança era uma ilusão, quando descobri, como jovem, que a minha liberdade já me fora tirada, que comecei a ansiar por ela. (…)
Mas, então, comecei lentamente a ver que não só não era livre, mas também os meus irmãos e as minhas irmãs não o eram. Vi que não era só a minha liberdade que era limitada, mas a liberdade de todos os que se pareciam comigo. Foi quando me inscrevi no Congresso Nacional Africano e foi quando a minha grande fome de liberdade para mim próprio se transformou na maior sede de liberdade para o meu povo. Foi este desejo de que o meu povo tivesse a liberdade de viver a sua vida com dignidade e auto-respeito que motivou a minha vida, que transformou um jovem assustadiço numa pessoa audaz, que levou um advogado respeitador da lei a transformar-se num criminoso, que fez de um marido amigo da família um homem sem lar, que forçou um homem que amava a vida a viver como um monge. Eu não sou nem mais virtuoso, nem mais abnegado do que qualquer outra pessoa, mas descobri que não conseguia nem sequer desfrutar das liberdades mesquinhas e limitadas que me eram permitidas, sabendo que o meu povo não era livre. A liberdade é indivisível. (…)
Foi durante esses longos anos solitários que a minha fome de liberdade para o meu povo se transformou na fome de liberdade para todos os povos, brancos e negros. (…)
A verdade é que não somos ainda livres; alcançámos apenas a liberdade de sermos livres, o direito a não sermos oprimidos. Não demos o último passo da nossa viagem, mas sim o primeiro de uma estrada ainda mais comprida e difícil. Pois ser livre não é somente arredar as correntes, mas viver de uma forma que respeite e realce a liberdade dos outros. O verdadeiro teste da nossa dedicação à liberdade está a começar.
Percorri esse longo caminho para a liberdade. Tentei não fraquejar; dei passos errados ao longo do percurso. Mas descobri o segredo: que, depois de escalar uma grande montanha, apenas se descobre que há muitas mais montanhas para subir. Parei aqui um pouco para descansar, para deitar uma olhada à vista maravilhosa que me rodeia, para olhar para a distância, de onde vim. Mas posso descansar somente por um momento, porque com a liberdade vêm as responsabilidades- e não me atrevo a demorar-me, pois a minha caminhada ainda não terminou.”

6 comentários:

Maria disse...

Um Homem que marcou a minha geração, um lutador pela paz e dignidade dos povos!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Vai ser a minha figura da semana neste pós regresso de férias!

Maria João disse...

Um Homem singular...
Um detalhe eterno...
O testemunho vivo de que é possivel ser-se forte e corajoso, ter sonhos sem deixar de sentir o chão e o quanto sangram os pés descansos e, com tudo isso, fazer da sua vida, algo que torna o mundo um lugar melhor.

Maria Clarinda disse...

Foi bom amanhecer no teu espaço e ler-te. Adorei o post.Jhs

Pitanga Doce disse...

Pensei que ainda estivesses de férias. Pelas fotos... foi booom demais!

Carlos Albuquerque disse...

A pouco e pouco, idas que estão as férias, volto a visitar os meus amigos da bloga, em que a autora do "Escrito a Quente" tem, desde há muito, um lugar especial.
Evoca, e honra lhe seja feita por tal, a figura desse gigante que é Nelson Mandela.
Deixo-lhe o mesmo comentário que enviei ao nosso amigo Carlos Barbosa de Oliveira, do CR:
Em 1994, aquando da assinatura do Protocolo de Lusaka, entre a UNITA e o Governo de Angola,tive a oportunidade de o conhecer, na capital da Zâmbia, e a honra de lhe ter apertado a mão. Confidenciou-me, e a outros jornalistas, ter, então, convidado Jonas Savimbi a deslocar-se à África do Sul para, em conjunto, falarem sobre a situação em Angola.
Savimbi, que sempre preferiu o músculo à discussão política na busca do entendimento para a paz,
ao contrário de Mandela, não foi.
Lembro-me, como se fosse hoje, que na cerimónia ocorrida nos jardins do palácio do presidente da Zâmbia, a figura sobre que todos se concentravam não era nem Robert Mugabe (também presente), nem Eduardo dos Santos ou Jonas Savimbi, mas sim Nelson Mandela.
Impressionou-me a clareza, abertura sem preconceitos ou ressentimentos, e mesmo carinho, com que falava aos jornalistas que se lhe dirigiam. Todos nos rendemos ao Homem Invulgar.
Olhando hoje para os líderes europeus, quantas vezes me dou a pensar: Que falta nos faz um Nelson Mandela!
Abraço, minha Amiga.

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