.jpg)
Foi através do Fungagá da Bicharada e da Heidi que a minha mãe me incutiu o desejo de aprender a ler.
Lia para mim nos momentos mortos na loja e, já em casa, enquanto preparava o jantar. E dizia que, assim que eu aprendesse a ler, poderia entreter-me sem ter de estar sujeita à sua disponibilidade.
O meu pai trazia-me, das bancas da estação do Cais do Sodré, os almanaques Disney: Patinhas, Pateta, Donald e, claro, Mickey. Preocupava-se a minha mãe, pois na época estes eram importados do Brasil e o seu receio era que eu começasse por ler justamente obras que referiam “bala” em vez de “rebuçado”, “ónibus” em vez de “autocarro”, “vovó” quando se tratava de uma avó, etc.
A teoria do meu pai era diferente; o que interessava era a miúda ganhar o gosto pela leitura, depois haveria de expandir as suas predilecções e fazer a triagem dos diferentes modos de escrita.
.jpg)
Vieram outras bandas desenhadas, a Mafalda, os Strumpfs e outras menos conhecidas.
As Fábulas de la Fontaine, Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma, da Irene Lisboa e O meu pé de laranja lima, do José Mauro de Vasconcelos. Começava a deitar a mão a um livro por sistema, para viajar na minha imaginação infantil de filha única, que, na prática, era o que eu acabei por ser.
Se ia passar um fim-de-semana a casa da minha tia, perguntava-lhe: Ó tia, não tens aí um livrinho para me entreter?, ao que ela, que só conservava antigas obras de literatura mais madura, me respondia: Não, não me lembro de nada. Olha, só se pegares no jornal.E eu assim o fazia. Mas ela arrependia-se; é que não parava de lhe perguntar o significado desta e daquela palavra.
Vieram os livros da Anita, mas lia-os sem grande interesse.
.jpg)
Mais tarde, Os Cinco, pois claro, e As Gémeas, mas estas colecções não as tinha; eram livros emprestados. De amigos ou da biblioteca itinerante.
E a Sue Towsend, com o seu Adrian Mole e sequelas, mais uma vez risadas minhas e da minha mãe.
.jpg)
Esta dissertação sobre leituras de infância foi-me proposta pela Gi, que fez também a apresentação das suas obras de referência e passou a ideia a outros bloguistas. E eu passo-o à Blue Velvet, que adora estes desafios, à Pitanga, sempre inspirada, ao Tiago, que deve estar quase, quase a ter mais tempo, com as férias natalícias, ao António, que nunca se poupa a pesquisas quando um tema lhe merece consideração, ao Jo Ra Tone, que tem uma forma muito própria de elaborar uma história em torno de quase nada, à Pipinha, para quem tudo é terura e à Fada, pois sendo professora e fada terá, certamente, muitas leituras a recordar num exercício como este.
15 comentários:
Fizéste-me rir com este post, o que não é coisa pouca.
E recordar.
Dar-te-ei a resposta, sim.
Beijinhos, amiga
Ainda guardo todos os livros dos Cinco! Há mais de 40 anos...
Beijinhos e boa semana
(já respondi ao teu desafio lá)
(finalmente!)
Desafio aceite, claro! este é dos mais giros que já vi. Partilhamos algumas leituras, mas a maior parte são diferentes, vai ser engraçado... Alguns dos teus livros de infãncia li-os já adulta :) e adorei!
Muito giro, sem dúvida!
Um abraço.
Como é bom o teu lado de diversão com as criançadas e crianças.
Estás com todo o espirito Natalicio dentro dee ti...
O primeiro livro que li sem ser o livro escolar, devia ter os meus dez anos e foi A Rosa do Adro. Meu padrinho emprestou-o ao meu pai, ser irmão e eu li-o. Depois, foi o Amor de Perdição, pela mesma via, e depois, comecei a ir buscar livros à biblioteca itenerante, uma camioneta, que aparecia na Seca, de 15 em 15 dias.
Penso que nunca li um livro infantil. Pelo menos que me lembre, só quando o Pedro era menino, que comprei uma colecção, para lhe ler ao adormecer. Mas eram os contos tradicionais. O gato das botas, o lobo Mau, Pedro e o Lobo, cinderela etc etc.
Um abraço
Fui buscar o teu espirito natalicio, pela tua alusão aos livros da Criançada, nada mais, mas se não tens muito esse espirito, então junta-te a mim, pois também não é das coisas que mais aprecie, muito embora não desgoste de todo...
Ah meninas! Que sorte vocês tiveram nas suas infâncias com tantos livros assim!
Lá em casa éramos tres filhas e eu a mais nova. O que vinha para mim era o que sobrava das irmãs e como elas não gostavam de ler...
Minha mãe nos distraía ensinando-nos a bordar. Comprava tecidos já riscados e eram, assim as nossas férias. Quando eu, queria ler, pegava as redações que havia feito na escola e as lia novamente.
Meu pai tinha livros mas eram sérios demais para minha idade. Obras completas com volumes encadernados e um peso além do que uma criança poderia segurar.
Só lembro-me de ter lido Cazuza de Viriato Correa, porque foi pedido na escola.
beijos meninas
beijos Filoxera
Filoxera,
De certo modo comovente esta viagem à infância através da literatura infantil.
E de repente acordaste muitas recordações esquecidas no tempo.
Um beijo e boa semana
Filoxera,
Obrigado pela passagem do desafio, e como vês dou sempre a minha volta ao jardim para saber novidades.
Olha, os livros que li quando era mais pequeno lembro-me por exemplo do inesquecível Pato Donald & companhia,Romances: A mulher de olhos abertos, Moliére, O terceiro ano no colégio das quatro torres e uma vasta colecção dos livros de bolso da "caminho" emprestados pelos primos.
Agora leio outros mais difíceies de entender.
Beijinho
Tantos do que falas, são também os meus.
E tenho ainda, todas essas revistas da Heidi, que esperava cheia de excitação todas as semanas, na papelaria da esquina.
A Alice Vieira e o Adrian Mole, já não são da minha geração, mas são também intemporaris pois a Beatriz tem e gosta muito.
Também li muitos dos que aqui postas. No fim de contas, só agora a geração dos mais pequenitos, tem outros livros à disposição.
Apesar de eu ter os livros dos 5 todos, os meus filhos nunca os quiseram ler; as aventuras que leram já foram outras; afdoraram os livros da rua Sésamo, por exemplo.
Olá. Obrigada pela visita. Esqueci-me da Heidi no meu post, conforme esqueci alguns outros que tenho vindo a relembrar ao lêr os posts dos convidados da GI.
Querida Filoxera,
gostei muito de conhecer este Teu Espaço em que se está tão bem...
Vejo que temos em comum a Disney e Os Cinco...
E sim, lembro-me também da preocupação da minha Mãe, que em solteira ensinara Português, com as discrepâncias vindas do Brasil. Ao que o meu Pai respondia: " e nós, com as telenovelas?".
Beijinho
Os 5 fizeram de mim literariamente aquilo que hoje sou... acho eu... nunca vi o Sofá a ler... e muito menos um sofá amarelo, mas pronto...
Enviar um comentário