28 março 2015

Maria Rapaz

Maria Rapaz. Era assim que chamavam as meninas que trepavam às árvores, jogavam à bola ou assobiavam.
A tia Beatriz era a Maria Rapaz da família porque, na idade das tropelias, apanhava cobras do rio e levava-as para casa. Assobiando, pois claro!
Quando a minha filha começou a romper joelhos das calças com o mesmo afinco e regularidade com que o irmão costumava fazê-lo, a tia passou a chamar-lhe Maria Rapaz.
Já não tenho a minha tia para coser calças.
Fazia-o com a perfeição alcançada por um enorme gosto e muitos anos de prática de antiga professora de corte, costura e bordados.
Abria as costuras laterais da sarja e, com a ajuda de uma máquina que permitia o ziguezague, cerzia com cuidado onde as crianças haviam cortado a direito, muito tortamente. O trabalho era tão cuidadoso que nem se notava, por vezes, onde tinha havido um rasgão.
Agora, faz-me companhia no pensamento. Recordo a sua habilidade enquanto me esforço por deixar apresentáveis os joelhos das calças da Mafalda, com os pontos mal azambrados (como a tia diria) de quem cose à mão, sem jeito nem gosto.

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Com um bocadinho de gosto
o jeito aparece
A "Maria Rapaz"
agradece

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