21 abril 2016

Pai


Chamava-me Filoxera
O Porto o viu nascer
A ordem dos factos é outra
Mas por esta o quero dizer

Lembro o meu pai-herói
Faz dez anos que partiu
Abalara já na garupa
Da memória que lhe fugiu

Era Rui e era Barros
Não jogava futebol
Com uma lupa acendia
Cigarros expostos ao sol

Fez teatro n’Os Modestos
Na juventude do tempo
Escreveu para os jornais
Leitor crítico e atento

                            Homem sempre de Abril                            
Desde o berço até à morte
Votou, amou e viveu
Do lado esquerdo da sorte

Dançou quando eu nasci
Q’ um homem também dança
Se contido, mas babado
Ao nascer-lhe uma criança
  
Chorava as dores alheias
Vivia de punho erguido
Dizia que o povo unido
Jamais seria vencido

Apontava-me os beirais
Na primavera, exultante
Saudando as andorinhas
No regresso triunfante

Ensinou-me a perseverança
A rectidão e a coragem
Mostrou-me, desde criança,
Como viver esta viagem.

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Por teu pai
como se fosse meu

(gostaria que uma filha minha me recordasse assim...)

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