21 março 2016

No Dia Mundial da Poesia



O meu poema

O meu poema
Esconde rios de lágrimas vertidas
Nas searas da nocturna desilusão
Regando antigas mágoas, renascidas
Em madrugadas prenhes de solidão.

O meu poema
São as dores duma nova sepultura,
Cavada com braços firmes, feitos pranto,
Onde enterro os despojos da ternura
E acolho nova era de desencanto.

Mas…

O meu poema
Espelha todas as estrelas que no céu brilham,
A luz que permite um novo dia,
As brincadeiras infantis que se partilham,
Os arco-íris que dão ouro à alquimia.

O meu poema
Guarda as sementes de todas as esperanças,
A chuva batendo, de mansinho,
As cantilenas sorridentes das crianças
Em campos de alfazema e rosmaninho.

O meu poema
Revela um corpo aberto às sementeiras,
Dunas agrestes onde aportam gaivotas,
Estrelas cadentes e terras sem fronteiras,
Mapas velhos, contendo novas rotas.

O meu poema
É o cabo das tormentas já dobrado,
É a arte, o sonho, a força e a glória,
A boa esperança de te ter sempre a meu lado,
O brinde à conquista da nossa história.



1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

"Apetece-me um verso!
Mas não tenho pão em casa
e um verso sem pão não tem graça!"

Do melhor que tenho lido
depois de Aleixo

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin