12 abril 2014

Duas vezes por semana marcamos presença naquele espaço onde se tratam dificuldades de aprendizagem, se recuperam movimentos que um qualquer acidente comprometeu e se ensinam miúdos e graúdos a viver com as limitações com que a vida os surpreendeu, de início ou a meio do trilho.
Ali, são tantas as pernas como as rodas que percorrem o chão.
Um pavimento de rectângulos de linóleo pretos e brancos. El
a só pode pisar os brancos, eu só os pretos. Assim palmilhamos os corredores dum centro de reabilitação.
Passamos os gabinetes da fisioterapia pediátrica e recordo o longo período de fisioterapia do meu filho, ainda bebé. Mãe ou pai a levarem-no a Lisboa, contra relógio, e as obras do túnel a jogarem contra. Lembro ainda o outro momento, mais recente, quando partiu o braço.
A mãe a levá-lo, a irmã ainda de pijama. Vestia-se e comia no carro. Depois de deixá-los nas escolas, eu percorria centenas de quilómetros diariamente em viagens profissionais.
Agora, a terapia tem a ver com os circuitos mentais. Indolor, mas cansativa. Uma brincadeira, num meio onde há infâncias de angústia, lutas intermináveis, vontades invencíveis.

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não comento, sinto
(nem sempre as palavras são necessárias)

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