01 junho 2013

Parabéns, Mafalda!



É com ternura que dá a mão à avó para descer as escadas, receosa que a avó, cuja vista operada ainda piorou, não veja bem os degraus. A mesma ternura com que colhe uma flor silvestre para me vir dar ou faz umas espetadas de fruta, reserva a primeira para o irmão “porque ele ADORA espetadas de fruta” e ainda leva uma para a professora.
A minha filha é assim. Ternura e rebeldia em doses generosas.
Parecia não querer criar raízes cá dentro. Quando, com poucas semanas de gestação, era suposto ouvir-se um coraçãozinho a bater, a eco ainda não revelava nada. Cinco dias depois, já se ouvia o coração anunciando vida, mas detectava-se um descolamento de placenta ameaçando-a. E houve ainda segundo descolamento. De modo que a Mafalda passou boa parte das suas primeiras semanas de gestação num repouso total que tanto me desgastou, por não ter feitio para estar quietinha.
A situação clínica normalizou mas, perto do final da gravidez, o luto pelo meu pai fez-me recear o efeito negativo que a perda pudesse ter na formação duma bebé incapaz de se subtrair aos neurotransmissores.
Cedo concluí que nenhum destes percalços foi marcante para a minha menina. Ou, se o foi, teve o resultado oposto: ela anda sempre apressada. Corre, não anda. E feliz, sorridente, extrovertida. Como quem rejeita as condicionantes em que foi amadurecendo no ventre da mãe.
Ao nascer, assim que a parteira se apercebeu que ela vinha aí, disse-me que ia chamar o obstetra. Quando ambos regressaram, já a Mafalda estava cá fora.
Ainda não tinha dois anos quando partiu a cabeça, graças às correrias. Quem a vê, lourinha, olhos azuis, ar quase angelical, não pressente a força desta criança que tem tanto de autónoma quanto de quase bebé.
A Mafalda é um furacão. Deixa marcas à passagem. Depois dela, nada permanece igual. Tatua os corações, enche os ambientes, marca paredes. O seu espírito criativo tudo impregna com o seu cunho pessoal. Mas é também uma brisa doce que nos acarinha, nos brinda com o melhor sorriso e faz com que nos sintamos importantes. É generosa, tanto quanto é linda. Sagaz, tanto quanto teimosa.
E é a filha mais amada do mundo. Porque é a minha filha. Que hoje completa sete aninhos.

4 comentários:

Maria disse...

É claro que não sei comentar.
Beijos às duas...

Pitanga Doce disse...

Já está uma mocinha. Beijinhos da tia Pitanga.

Manuel da Mata disse...

Há muito tempo que não passava por aqui. Hoje enchi o peito de ar com esta brisa fresca. :) Beijinho.

Maria João disse...


Textos escritos com a ternura de todas as palavras capazes de se aproximarem do que é indizível...

Filhos incriveis têm mães maravilhosas... só pode!

Um beijinho grande

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