18 junho 2012

Despe-me

Ajuda-me a despir.
Tenho um nó numa garganta que não se cala.
Desata-mo. Só tu estás habilitado a arrancar esta gravata invisível.
Desaperta-me o cinto que não me contém a fome, vive comigo a ânsia de mais vida.
Descalça-me. Quero sentir o chão que piso, assegurando-me de que não me fugirá.
Furta-me o relógio, que contigo as horas são para esquecer.
E despe-me a blusa, num tango sedutor de promessas gulosas.
Livra-me das calças leves, pesadas demais para a nossa cumplicidade.
Solta-me do soutien que me constrange a liberdade. Sou mulher de movimentos soltos, recuso-me a avançar espartilhada.
Sussurra-me promessas de dias melhores, à medida que danças comigo num leito improvável.
Despe-me de tudo. O pouco pano que ainda resiste e as preocupações que subsistem.
Veste-me da tua pele, coroa-me de juras de amor provisório, sempiterno, enquanto pousas os meus brincos de rainha na cabeceira dos teus sonhos.

4 comentários:

Rogério Pereira disse...

Imaginei-te a dizer este poema
e fiquei com tua voz na minha lembrança

Maria disse...

Muito bom. Mesmo. Mas fiquei a pensar... sabes que me peocupo...

Beijo.

Maria João disse...

Já o disse lá, repito-o aqui...
Há neste poema uma dança terna e sedutora de quem tem a alma pronta para viver o outro lado.

Gostei muito. Muito mesmo!!

Um beijinho Sofia

Luis Eme disse...

muito bonito.

beijinhos Filoxera

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