15 maio 2008

Dia da Família


Família: conceito de carácter emocional, tantas vezes secundarizado.

Hoje, 15 de Maio, comemora-se o Dia Internacional da Família.
E há tanto a fazer ainda, em prol das famílias...
Por exemplo, como podemos deixar que continue a haver milhares de crianças sem uma família, e lares de acolhimento, quando há tantos candidatos a pais em espera da conclusão de processos tão burocráticos que dão aos adoptantes tempo para desesperar?
Famílias que adoptam e são desmembradas quando os dadores da semente se lembram que agora já querem ser cidadãos responsáveis e pais exemplares, a ponto de darem às crianças o maior abalo das suas vidas- retirá-las dos seus pais de sepre, que as amaram e as sente suas?
Ao mesmo tempo, nas situações de violência doméstica deixam-se arrastar maus-tratos até ao ponto fatal, ou pega-se na vítima ao fim de n tentativas de assassinato e dá-se-lhes uma nova vida, mas uma vida de fuga e de não-identidade, num local absolutamente novo, longe das referências emocionais, em vez de se enjaularem os agressores.
Mas há as famílias ditas normais, onde nada disto sucede.
Famílias que apenas querem continuar a ter o que as caracteriza como família: amor, casa, união, segurança, educação.
A dificuldade começa logo na gravidez. Nos subúrbios dos centros urbanos, procuramos um berçário, ainda a emio da gestação, e dizem logo que já devíamos tê-lo feito. Há listas e listas de espera. Quem não tem avós a quem deixar os bebés, paga uma fortuna por mês para que alguém fique com um bebé de 4 ou 5 meses que nós gostaríamos de cuidar mais uns tempos.
A pressão de algumas empresas, para que se regresse ao fim de 4 e não 5 meses. Ou a não renovação do contrato. Ou o despedimento, de grávidas e lactantes, que, mesmo ilegal, grandes companhias conseguem levar a cabo, com pareceres positivos da CIT, imagine-se! Ao invés da lei e contrariando a tradição...
O facto de a licença parental de 15 dias após a licença de maternidade ser facultativa não ajuda nada- muitos pais são pressionados a não a gozarem.
Não há escolas oficiais para bebés, dificilmente há vagas no pré-escolar e os meninos que deviam entrar para o 1º ano não entram se têm a infelicidade de ter nascido após 15 de Setembro.
Já crescidinhos, muitos filhos vêem as festas escolares desenrolarem-se uma e outra vez sem a presença dos pais, já que a vida profissional o não permite.
E milhares de crianças só estão com os pais ou familiares uns minutos por dia, devido às horas de trabalho e deslocações... Minutos de desgaste, num final de dia esgotado. Liga-se a tv enquanto se põem em marcha as tarefas domésticas.
E felizes as famílias que não foram apanhadas pelo tsunami do desemprego, aliado à subida das taxas de juro. É ver os nervos à flor da pele, as crianças a ouvirem gritos de quem desespera, os pais a tentarem garantir os bens essenciais e não perder a casa.

Família: que futuro te aguarda?

10 comentários:

BlueVelvet disse...

Como sempre um post cheio de conteúdo.
Acredito que a Família é a base de qualquer sociedade.
A família como foi concebido há muito: pai, mãe, filhos, avós, etc.
Por muito politicamente incorrecto que seja ( mas já sabes que sou assim ) famílias monoparentais, crianças filhas de homens (!), casais homosexuais com filhos adoptados, etc, etc, convencem-me pouco.
Dir-me-ão: é melhor que as crianças estarem abandonadas num lar ou na rua.
Sem dúvida, mas não chamem a isso família.
Pode ser outra coisa qualquer, até válida, mas família, não é.
Desculpa o desabafo, filoxerazinha.
Beijinhos e veludinhos

Alexandre disse...

As questões que aqui levantas são deveras pertinentes e vão ter que encontrar uma resposta rápida ou a humanidade vai desta para melhor...

O conceito de família está completamente adulterado mas a verdade é que ainda não se «inventou» nada parecido!

A fotografia está óptima - família é família nem que sejam formigas, heheheh!!!

Muitos beijinhos, Filoxera!!!

Tiago' disse...

É sempre bom reflecitr sobre estas coisas nestes dias especiais. A familia é uma coisa muito importante, das mais indispensáveis. Por vezes só nos apercebemos disso demasiado tarde.

Tiago'
beijinhos!

conhecimento disse...

É dia da FAMILIA HOJE? Então que seja um sorridente dia para ti, beijinhos sem tempo para mais do que a lembrança de passar por aqui.

Vieira Calado disse...

Passei para deixar um beijinho, amiga.

bettips disse...

A família pode ser só uma avó meiga, duas pessoas com carinho e atenção para com a criança. Pode ser um casal normalíssimo... muitas vezes não é. As condições têm de ser EXIGIDAS, condições para criar, educar, ter tempo e alimentar a criança. Porque ela é o embrião da sociedade e é, em última instância, a quem a entregamos, crescida a sua força intelectual ou de trabalho.
Grata pela passagem, é só uma achega para tanto torpor e água turva!
Abç

Pena disse...

Doce Amiga.
Num texto arrebatador, sensível e
terno expressa o valor pela família que me encanta. Enternece e maravilha.
Será que estes valores e principios imprescindíveis ao bem-estar e harmonia do Ser se esquecem cada vez mais?
Sensato, puro e genial texto decorado pela sua gigantesca capacidade literária que faz pensar.
Gostei muito.
Beijinhos amigos de estima e respeito.
Sempre a considerá-la como enorme pessoa de bem

pena

Maria, Simplesmente disse...

Obrigada o seu comentário nas minhas "rosinhas". Deve conhecer aquelas rosinhas, para mim "selvagens", porque aparecem por todo o lado, num meio adverso, sem ser tratadas. Há quem lhes chame de Stª. Teresinha!...
Elas são bem o exemplo da coragem que é necessária para encarar o mundo violento em que vivemos, tudo o que se vai modificando e a que não estavamos habituados. Mostram-nos que somos capazes de viver com beleza no meio que a pouco e pouco se modifica, nos costumes, numa sociedade que queríamos sempre a nosso gosto, mas que cada vez mais nos desafia para o "quase" impossivel! Tal como elas temos de lutar e elas lutam e de que maneira!...
Eu também lutei...
Neste seu poste, vejo o que diz sobre as mudanças...
Pergunto: nada disto existiu no passado?...
Houve sempre, só que pouca gente conhecia, a informação não chegava na hora, havia censura, não havia tanta televisão por todas as salas da casa de habitação.
Hoje devido os hábitos que temos só temos dois caminhos a seguir, censurar a informação, enganar as crianças e enganarmos a nós mesmos, fazendo crer que a família vai bem, como as nossas avós fizeram, (tão felizes coitadas!...)
Quem quer seguir este caminho?...
Voltamos ao "Pátria, família e Deus?..."
Nesta altura, lá fora, o mundo já era muito violento, mas a maioria de nós não sabia, porque tudo era longe. Não era nada que nos tocasse.
Bjs
Maria

Oliver Pickwick disse...

Por falar em datas, nem sabia da existência de tal dia. Contudo, a atenção aos meus familiares, esta eu não negligencio jamais.
Apesar de tudo, acredito em melhores dias para a família. Do contrário, o João, aquele do Livro das Revelações, está certo: é o fim dos tempos.
Um beijo!

Anónimo disse...

Infelizmente nos últimos tempos não tenho tido muito tempo para ler o que escreves. Hoje que o consegui fazer vejo que continuas a faze-lo de uma maneira fantástica e sempre focando temas de real interesse. Tens toda a razão no que escreves.

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