30 abril 2012

Apresentação do "Antes de Sermos Dia" no Porto

A poesia continua.
Depois do momento mágico que foi o lançamento, em Lisboa, de "Antes de Sermos Dia", tenho todo o gosto em levá-lo até ao Porto, onde a apresentação (do livro e da autora) será conduzida pela minha querida amiga Maria Mamede, com momentos musicais a cargo do Francisco Rua.
Espero, e acredito, que esta apresentação, na Junta de Freguesia de Vermoim (Maia), no próximo dia 19, pelas 16h, seja tão emocionante como a de Lisboa.
Afinal, trata-se do "Porto da minha alma", terra que, por tradição, acolhe de forma calorosa.

25 abril 2012

5 anos de blogosfera, no Dia da Liberdade

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""O difícil está feito, o impossível só leva mais tempo"
Salgueiro Maia


Hoje, o Escrito a Quente completa 5 anos de existência.
Escolhi o dia da liberdade para o criar, pelo siginificado que tem para mim.
Liberdade é conceito que parece esquecido, num mundo onde tantos insistem em viver no medo.
Medo de dizer "não", medo de expor ideias, medo de ser mal visto, medo de ser genuíno. E no medo se deixam enredar, encaminhando-se para uma sobrevivência que já não é vida.
Medo de escolher, de mudar, de dar um passo, de ouvir uma recusa.
Não se lembram, sequer, que não teríamos aprendido a andar se não arriscássemos os primeiros passos.
Em tudo é preciso tomar uma decisão. E a liberdade de escolha pertence-nos.

5 anos de blogosfera trouxeram-me opiniões, trocas, ideias, partilha.
Aqui recebi afectos, solidariedade, amizade, incentivos.
Por tudo isso, estou grata aos leitores e amigos do Escrito a Quente.
Por tudo isso, Abril tornou-se, também, o mês de "Antes de Sermos Dia".

A todos, um enorme OBRIGADA.
Espero prosseguir este percurso de trocas literárias, de ideias, de entre-ajuda, em liberdade.
Na vossa companhia.

22 abril 2012

Soneto para o meu pai





Seis anos de orfandade
Ensinaram-me a viver
Numa infinita saudade
Qu' ainda estou a aprender.


Sinto-te em cada leitura,
E na emoção que se tece,
Na memória que perdura,
Em cada dia que amanhece.


Sei-te distante no tempo,
Constante no pensamento
Emoção que me completa


Sei-te no livro publicado,
No meu poema cantado,
Nesta alma de poeta.

16 abril 2012

O Lançamento do meu livro Antes de Sermos Dia

A emoção foi grande, numa tarde que não podia ter sido melhor.
O auditório ainda não completamente cheio.
Alguns amigos tiveram de ficar de pé...

O José Fanha, com a sua simpatia, a apresentar a obra

A palavra à autora, improvisando agradecimentos a quente


Todos os protagonistas da apresentação

Um amigo, num momento especialmente emocionante,
em que o meu poema ganhou outra força, numa voz de poeta
O Rogério Charraz, que me ofereceu um dos momentos mais grandiosos da tarde,
cantando um poema meu

Outro poema, outra voz de poeta


E um novo leitor, que me surpreendeu também


 A cumplicidade das amigas

(Nota: a maioria das fotos são do Alex Gandum)

10 abril 2012

Lançamento do meu livro





Será já no próximo Domingo,
às 15h, no Campo Grande, 56,
em Lisboa.

                                                           O José Fanha irá apresentar esta vossa amiga e Antes de Sermos Dia. O Rogério Charraz vai oferecer-nos alguns momentos musicais.         Estão todos convidados :-)




31 março 2012

Tela sem fim



Desenho o teu rosto em todos os horizontes,
Acrescento um retoque a uma tela sem fim.
E há um Sol que espreita por detrás dos montes,
Como tu espreitaste a alegria em mim.

Crio árvores e céu, um rio solto na corrente,
Apago todas as aves que abafam a tua voz,
Esboço um voo livre que a memória ainda sente,
De quando o silêncios falavam por nós.

26 março 2012

O meu livro "Antes de Sermos Dia"


está quase a ser publicado.
Aqui fica o convite para o lançamento,
já no próximo dia 15 de Abril.
Se puderem, dêem-me a alegria de viverem comigo este
momento especial e...
tragam um amigo também ;-)

19 março 2012

PAI



Estás numa dimensão não corpórea e eu sinto saudades de nossa dança infantil.
Estás no meu gosto pela leitura, em cada livro que guardo, no mar, nas fotos. E eu tenho saudades de conversar contigo.
Estás nos traços do meu rosto, nos do meu irmão, no gosto do teu neto pelo xadrez, no sentido contestatário da tua neta e em cada um dos muitos outros netos e bisnetos. E a todos fazes falta.
Estás no meu apreço pelo Porto, em cada navio que observo, em cada lembrança das nossas viagens. E eu sinto saudades de descobrir o mundo contigo.
Estás na minha determinação, no livro que estou quase a publicar, no silêncio e no isolamento que tanto aprecio. Mas gostava que ainda estivesses com os meus filhos.
Estás em todas as minhas alegrias, em cada uma das minhas tristezas. E eu sinto falta dos teus conselhos e das tuas críticas.
Não estás visível connosco à mesa no nosso dia do pai. Mas estarás sempre em mim.

11 março 2012


O incisivo central debatia-se com as suas angústias, preso por uma ligação cada dia mais fraca.
Sabia que teria de deixar a boca onde crescera. Ouvira histórias onde lhe chamavam dente de leite, estava consciente de que outro viria tomar o seu espaço, ma não havia forma de ganhar coragem. Abandonar a boca onde sempre vivera? Nã!... Isso de deixar para trás os amigos, as rotinas, aquele fresquinho com sabor a morango que todos os dias experimentava, num ritual de higiene que se repetia quase sempre? Nem pensar!
Sentia-se cada vez menos preso à gengiva, porém cada dia mais preso ao seu espaço de sempre. Sim, definitivamente isso de largar para sempre o que sentia como uma vida confortável e atirar-se para fora de um universo tão familiar, não era para si.
Outros dentes que se fossem embora primeiro. Talvez –talvez!...- se soubesse que tinha amigos já lá fora, e que eles tinham gostado da mudança, se lançasse nessa aventura. Mas não queria ser o primeiro a cair. Porque não haveria de ir um molar ou um canino à frente? Diziam que até era motivo de orgulho, ser o primeiro dente a cair, mas este incisivo dispensava destaques. Não nascera para protagonismos nem para aventuras. Sabia que podia dar azo a uma surpresa da fada dos dentes, mas a coragem não era, decididamente, o seu forte. Só queria continuar ali, no meio dos outros dentes (nem se importava que lhes chamassem “de leite”, o que era um perfeito disparate, então não se viam claramente que todos eles eram bem sólidos?), a trincar maçãs e gelados e a sorrir.
O tempo passava sem que arriscasse a queda.
Um dia, já havia um incisivo lateral a abanar, tal como ele. Agora parecia que todos os seus companheiros faziam apostas sobre qual seria o herói, o primeiro a aventurar-se. A eminente saída de qualquer um tinha-se tornado assunto do dia, à boca fechada. E aberta… O sossego que até então conhecera ameaçava nunca mais voltar. As piadinhas e as provocações tornaram-se o tema forte daquela boca. Enquanto uns insinuavam que o lateral cairia primeiro, outros apostavam que seria o central.
Aquilo já começava a consumi-lo. E ele não se via a si próprio como um medroso… Mas, a manter-se aquele seu receio pelo mundo lá de fora, ia acabar por ser ultrapassado pelo lateral. E isso de ficar para trás era coisa que não sabia se seria boa…
Andaram ali os dois, semanas a fio, abano daqui, abanas dali, mas nenhum dava o salto.
Até que o incisivo central se deu conta que, se se aborrecia com aquele ambiente de “bocas” e sabia da inevitabilidade de ter de sair um dia, então mais valia ser o primeiro. Esperaria pelos companheiros lá for, pronto a servir-lhes de cicerone, olhado com admiração pelos seus pares.
Foi assim que, um dia, a Mafalda acordou e, ao começar o pequeno-almoço, segurou nas pontas dos seus pequenos dedos aquele que seria o primeiro dente para a sua fada dos dentes.

08 março 2012

Dia da Mulher


Mulher, eu sou desde que nasci...
Hoje, precisamente, faz uma década que soube que ia ser mãe, pela primeira vez!
Tenho esse dia tão fresco ainda na memória...

A ansiedade. O momento da espera. A confirmação.
A surpresa. A explosão de alegria.
A comemoração.
A minha vida começou a mudar há 10 anos :-)

29 fevereiro 2012

Saudade



Saudade da tua pele na minha pele,
Bailado sedento de corpos inebriados
Esgotados de tanto saborear esse mel,
Licor de amantes embriagados.



Saudade do teu calor no meu calor,
Mãos dadas num brinde de harmonia,
Das tantas vezes em que, mais que amor,
O que fizemos foi pura poesia.



Saudade da tua vida na minha vida,
Do reencontro ansiado e intenso,
Quando me aninhavas nos braços, despida
E o tempo parava, por nós suspenso.

22 fevereiro 2012

De tanto estarmos sós


Deixo-me conduzir pelos teus passos,
Sombra que me persegue, vadia,
Rastro silencioso dum trilho de abraços,
Percepção vaga de presença em cada dia.
E sei que, se és vento, eu sou ventania.

Deixo-me ir, na direcção do teu olhar,
No embalo dos beijos que ainda ressoam em mim,
Memória duma época que não sei apagar;
Segredo doce que conservo, assim,
Como se fosses princípio, e eu fim.

Deixo-me ficar em nós,
Fantasia ousada de um amor louco,
Feito no tempo que desvendou a voz
Escondida num recanto meu, rouco,
De tanto nos querermos. De tanto estarmos sós…

13 fevereiro 2012

O meu poema tem o teu nome


Vivo um poema, que tem o teu nome
Escrito a quente, na pele agora tua
Em caligrafia lenta que consome
Carinho e desejo, numa dança nua.

Vivo um sonho, há muito ensaiado
No palco sublime da imaginação,
Onde um fluxo e refluxo enamorado
Unia dois corpos na ondulação.




05 fevereiro 2012


Aqueceste-me os dias
num tempo de afagos,
vestido de palavras,
nas vagas do momento.

Depois, veio o
s
i
l
ê
n
c
i
o,
o tempo incolor,
a ausência da pele.
E eu fiz-me às ondas
intocáveis.

Mergulhei num oceano vasto,
sombrio, desconhecido.
O frio do mar é agora o meu manto.
E eu já não aguardo sorrisos de areia;
antes voo em cada ocasional aragem.

29 janeiro 2012

Parabéns, "mana"!


É a minha “gémea”; devemos ter sido separadas à nascença; é o que intuímos...
Sensibilidades parecidas, gostos muito próximos, comunicamos à distância, mesmo sem palavras.
É aquela amiga a quem confio password’s, envio sms's impensáveis e me responde outros tão estapafúrdios que, às vezes, nem eu capto, em quem deposito as minhas confissões e de quem recebo em medida idêntica.
Chamamo-nos manas e vamos ao encontro uma da outra repentinamente, por impulso.
Nasceu com o dom do desenho e da pintura.
Capaz de surpreender, é a amiga da verdade, aquela a quem se pede opinião sincera.
E é uma mãe como muito poucas. Faz da maternidade uma brincadeira didática, da cozinha um local lúdico e da vida uma melodia alada.
Já apontámos focos de luz ao Sol, trincámos a Lua e construímos um avião solar.
E estamos prestes a dar um salto ali, à terra dos sonhos. A última a chegar é um ovo podre!
(não lhe digam que será ela;  é que hoje é o seu aniversário e não quero que fique desiludida…)
J


23 janeiro 2012


Construo novas formas de existir. Porque o que importa mesmo, é viver.
Com noites ou madrugadas, vividas ou inventadas. Sentidas.
Afasto receios e angústias.
Abro a alma ao Sol e as emoções proibidas passaram a ser autorizadas.
Numa vereda que se percorre.
Quem sabe na tua companhia... Numa nova era que se descobre.

19 janeiro 2012

José Fanha nas escolas

A escola do meu filho contou, na Terça-feira, com a visita


 do escritor e poeta José  Fanha.


Foi um dia memorável, diferente do habitual, com uma iniciativa em que
os alunos também participaram, com gosto.


O escritor deu autógrafos, os alunos ofereceram lembranças preparadas nas últimas semanas de aulas.


Na escola da minha filha, a visita aconteceu na Quarta. 


Os alunos demonstraram criatividade ao representarem parte da história 
Os Sapatos do Pai Natal

E despediram-se agradecendo ao poeta com uma flor.

16 janeiro 2012

Obrigada, Carlos!


Ontem fui surpreendida por uma distinção que o mwata Carlos atribuiu a alguns blogues, incluindo o Escrito a Quente.
Um selo de amizade, feito com esmero, que é como se fazem as coisas que se oferecem aos amigos.
O gesto foi o que mais me tocou. A dedicação é algo que parece ter tendência a ser cada vez mais rara. Por isso, e pelo que representa, a aprecio tanto.
A seguir ao gesto, aquela associação de ideias. O Pensador. Angola. Tudo o que guardo cé dentro, desse país que ainda não tive oportunidade de conhecer e me habita o pensamento há anos. É algo que não se explica; sente-se.
O Carlos escreve lindamente. Na sua cubata, Conversas Daqui e Dali, perdemo-nos do mundo, deixamo-nos envolver por histórias que nos fazem sonhar com outras paragens, outros tempos... E eu adoro quando uma escrita me prende.
Se também apreciam histórias contadas com mestria, não deixem de lá passar, para conhecerem ou revisitarem este espaço onde a narrativa é oeferecida com sentimento.

12 janeiro 2012

Saber





Saber que as palavras são nada quando se sente assim.
Saber cada instante nosso, que é memória selada em dois colos que se dão.
Saber da paixão, rastilho de um amor em expansão, num universo estrelado.
Saber das vagas do mar, frágeis ondas homenageando as nossas marés.
Saber da lava que brota do vulcão de nós, fogo sempre renovado.
Onde moram beijos enlaçados, em saudade que se mata com braços e pernas.
Saber que te sinto. Agora. Sempre.
Sem explicação…

 

06 janeiro 2012

Lembro

Lembro-me do tempo em que o tempo parou,
Das frases adivinhadas na força de um abraço.
Lembro-me do silêncio que nos embalou,
Das madrugadas ébrias de cansaço.


Lembro-me que as noites nunca foram escuras;
As manhãs ofereciam-nos cores macias.
Nas tardes fluíam canções e ternuras,
Em horas de esperança, bordadas de alegrias.


Não esqueço o sorriso, esse meu tesouro
Cintilante de brilho, que ainda ecoa
Na memória de momentos bordados a ouro.


Não esqueço o enlevo com que te protegi
Num súbito instinto felino, de leoa,
Zelosa da savana onde renasci.

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