18 julho 2008

Parabéns, Sr Mandela!

(imagens do site da Fundação Mandela)

É a primeira imagem que me ocorre quando se fala de heróis.

Nélson Mandela completa hoje 90 anos de uma vida totalmente consagrada à afirmação da dignidade humana e à luta contra a opressão racial na África do Sul.
Uma vida de luta contra as contrariedades, motivada pela esperança e pelo espírito combativo que, finalmente, o conduziu ao Prémio Nobel da Paz e à presidência do seu país.
Em homenagem a este lutador incansável, deixo as suas próprias frases, extraídas da obra autobiográfica Longo Caminho para a Liberdade:
“Eu não nasci com fome de liberdade. Nasci livre- livre de todas as formas minhas conhecidas. Livre para correr pelos campos perto da cabana da minha mãe, livre para nadar no ribeiro claro que atravessava a vila, livre para assar milho sob as estrelas e montar na garupa larga de toiros vagarosos. Enquanto obedecesse ao meu pai e respeitasse os costumes da minha tribo, não me incomodava com as leis do homem ou de Deus.
Foi só quando comecei a aperceber-me que a minha liberdade de criança era uma ilusão, quando descobri, como jovem, que a minha liberdade já me fora tirada, que comecei a ansiar por ela. (…)
Mas, então, comecei lentamente a ver que não só não era livre, mas também os meus irmãos e as minhas irmãs não o eram. Vi que não era só a minha liberdade que era limitada, mas a liberdade de todos os que se pareciam comigo. Foi quando me inscrevi no Congresso Nacional Africano e foi quando a minha grande fome de liberdade para mim próprio se transformou na maior sede de liberdade para o meu povo. Foi este desejo de que o meu povo tivesse a liberdade de viver a sua vida com dignidade e auto-respeito que motivou a minha vida, que transformou um jovem assustadiço numa pessoa audaz, que levou um advogado respeitador da lei a transformar-se num criminoso, que fez de um marido amigo da família um homem sem lar, que forçou um homem que amava a vida a viver como um monge. Eu não sou nem mais virtuoso, nem mais abnegado do que qualquer outra pessoa, mas descobri que não conseguia nem sequer desfrutar das liberdades mesquinhas e limitadas que me eram permitidas, sabendo que o meu povo não era livre. A liberdade é indivisível. (…)
Foi durante esses longos anos solitários que a minha fome de liberdade para o meu povo se transformou na fome de liberdade para todos os povos, brancos e negros. (…)
A verdade é que não somos ainda livres; alcançámos apenas a liberdade de sermos livres, o direito a não sermos oprimidos. Não demos o último passo da nossa viagem, mas sim o primeiro de uma estrada ainda mais comprida e difícil. Pois ser livre não é somente arredar as correntes, mas viver de uma forma que respeite e realce a liberdade dos outros. O verdadeiro teste da nossa dedicação à liberdade está a começar.
Percorri esse longo caminho para a liberdade. Tentei não fraquejar; dei passos errados ao longo do percurso. Mas descobri o segredo: que, depois de escalar uma grande montanha, apenas se descobre que há muitas mais montanhas para subir. Parei aqui um pouco para descansar, para deitar uma olhada à vista maravilhosa que me rodeia, para olhar para a distância, de onde vim. Mas posso descansar somente por um momento, porque com a liberdade vêm as responsabilidades- e não me atrevo a demorar-me, pois a minha caminhada ainda não terminou.”

14 julho 2008

Da França para o Mundo

(foto retirada da net)


A Europa do séc. XVIII via questionados o poder absoluto dos reis e as ordens privilegiadas.
Em França, o panorama absolutista de uma sociedade estratificada dabatia-se com a difusão dos ideais iluministas pelo terceiro estado, a par de de uma burguesia em ascensão que se afirmava economicamente. Tudo isto emoldurado pela crise económica e financeira e agravado pelas guerras recentes em que a França se envolvera, a dos Sete Anos e a da Independência dos EUA.
A tensão social iria desencadear a Revolução Francesa.
A Convocação dos Estados Gerais resultou no "juramento do jogo de péla", em que os representantes do terceiro estado se comprometeram a não se separarem enqunto a França não tivesse uma Constituição.
Na segunda fase da Revolução Francesa, a da Assembleia Nacional Constituinte, elaborar-se-ia essa Constituição, que alteraria todo o aspecto político e social do país. O clima de insurreição teria como rastilho adicioanal para o levantamento o aumento do preço do pão, essencial na alimentação dos franceses. Esta fase culminou na tomada da prisão da Bastilha, no dia 14 de Julho de 1789.
No período designado por Assembleia Legislativa, os jacobinos apoderam-se do governo, abolindo a monarquia e dando origem à primeira república.
De seguida, durante a fase da Convenção e Terror, é instaurado um regime de terror conducente à morte de Luis XVI e, posteriormente, da rainha Maria Antonieta, bem como de milhares de franceses, desde nobres a cientistas (como Lavoisier), poetas, girondinos e mesmo os líderes da Convençaõ (Robespierre e Danton).
Proibia-se o culto cristão, instituindo-se como religião oficial o poder da Razão.
Porém, a burguesia consegue recuperar o poder e dissolver a Convenção. Durante o Directório, cria uma nova Constituição, embora o sufrágio continue a ser censitário, como lhe convinha.
Um golpe de estado, liderado pelo general Napoleão Bonaparte, fará cair, em Novembro de 1799, o Directório, iniciando um novo governo, o Consulado, iniciando-se o Império Napoleónico, que duraria apenas dez anos.
A Revolução Francesa deu início à Idade Contemporânea. Aboliu a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade"- expressão da autoria de Jean-Jacques Rousseau- e conduziu à Declaração do Direitos do Homem e do Cidadão.

13 julho 2008

Pequeno excerto #1

(fotograma de filme com mais de cinco décadas)



Seiscentos quilómetros de estradas más. África do meio do século vinte. Uma aventura, viajar. Pontes móveis ligavam margens de rios e ribeiros, velozes. Ravinas sucediam-se numa sabotagem infinita dos trilhos do percurso. Planícies escaldantes, paisagens de sonho, variadas. Vontade de parar, reter na memória cada ínfimo pedacinho. Ou ficar ali, simplesmente, entregue à beleza de um quadro onde apetece criar raízes.
(as minhas ausências prendem-se com as viagens imaginárias que empreendo por estas bandas, num tempo que não foi o meu...)

09 julho 2008

Nunca é tarde para enaltecer

(foto minha)

A praia, pontilhada de grupos de crianças das escolas das redondezas e de avós com e sem netos, despedia-se deles, na hora em que o calor começaria a pesar.
Iam agora subindo a rampa de acesso ao estacionamento, de costas viradas para os tons calmos de azul e verde com que o mar enaltecia o dia.
Peles bronzeadas e camisas brancas, o casal ostentava a doçura serena de quem já viveu muitas décadas e aprendeu a valorizar cada pormenor.
Em passadas lentas, mas vigorosas, afastavam-se da paisagem estival.
Até que ele estugou o passo, apressando-se a atingir um ponto mais elevado, de onde pudesse abarcar, no écrã da câmara digital, a panorâmica que se estendia no seu rasto.
Ela não tardou em traçar-lhe o perfil:
- Davas um excelente fotógrafo artístico, tu, com a tua atenção sempre virada para as paisagens e para as coisas bonitas.
Ele não perdeu tempo a ripostar:
- E tu davas uma excelente modelo.


A cena, se tivesse sido imaginada por mim e escrita aqui, faria com que pensassem que me deu para a vertente delicodoce.
Mas desenganem-se: este casal, na casa dos setenta, talvez próximo dos oitenta, existe, a cena desenrolou-se junto a mim, originando um sorriso com os olhos e com a alma, salve a piroseira desta expressão. Mas quando se trata de amor, alguma piroseira é consentida...

06 julho 2008

Hoje foi um dia especial.
Recordei um passado não vivido, ao lado de alguém que não conhecia.
E foi emocionante. E mágico.

Porque a magia, como todos sabem, somos nós que a inventamos.
Sentindo-a.

03 julho 2008

Lince-ibérico: o felino mais ameaçado no Mundo

O meu filho adora ver os programas do Odisseia sobre a vida animal. Até eu, que não perco, normalmente, tempo a ver televisão, se me deparo com estes documentários, não consigo descolar do ecrã.

Ontem, enquanto prestávamos atenção a um destes programas, dei por mim a falar-lhe da campanha que, em miúda, costumava ver nos combóios, pela defesa e preservação do lince da Serra da Malcata.
Na altura, o cartaz, que surge aqui no início do post, nem me cativava. Confesso que aquele ar de poucos amigos do bicho não me inspirava grande empatia. O que me tocou foi o facto de o animal se encontra em vias de extinção. Normalmente, em crianças somos sensíveis a questões do foro ecológico, às vezes com maior interesse do que os adultos.

Referi ao Vasco esta campanha e disse-lhe que depois lhe mostraria as fotografias do animal.
Eu sou assim; adoro histórias, lamento que as memórias se percam de uma geração para outra. Quem me conhece, sabe o quanto sou capaz de investir na investigação e no revivar de memórias.
A juntar a isto, a minha paixão por felinos lançou-me na pesquisa de artigos na internet acerca deste lindo gatinho, quase inexistente na Península Ibérica.

Fiquei a saber que em todo o mundo existem apenas 4 espécies de linces. O ibérico é um deles.
Há duzentos anos, estava presente em quase toda a península, e em algumas áreas do Sul de França.
Contudo, desde meados do século XIX, as populações deste felino começaram a diminuir, em resultado da acção do Homem e das alterações no habitat.
Apenas 2 ou 3 agregados populacionais poderão ser considerados viáveis a longo termo.
O lince-ibérico selecciona habitats de características mediterrânicas, como bosques, matagais e matos densos.

A sua alimentação é constituída por coelhos, mas, se estes lhe faltam, opta por consumir veados, ratos, patos, perdizes, lagartos, etc.
Trepador exímio, este felino é um animal nocturno por excelência. Cioso do seu território, um macho normalmente não partilha o seu espaço com outros machos, mas não se oporá a fazê-lo com uma ou diversas fêmeas.
Acasalam nos primeiros três meses do ano, tendo a gestação uma durabilidade entre 63 e 74 dias. O mais comum é nascerem 2 crias, mas o número varia entre 1 e 4, sendo que neste caso as lutas por comida acabam por condenar à morte os mais fracos, salvando-se apenas um ou dois. Ao fim de um ano de cuidados maternos, autonomizam-se e deixam o grupo familiar.

As ameaças à sobrevivência desta espécie são o desaparecimento gradual de populações de coelhos bravos, a pneumonia hemorrágica viral (que acabou por infectar os próprios coelhos, também), as armadilhas para caçar estes roedores, a destruição dos habitats mediterrânicos, os atropelamentos e, para vergonha dos homens, a caça ilegal…
Estima-se que, em todo o mundo, não existam mais de 150 indivíduos desta espécie. Em Portugal, está «virtualmente extinta», de acordo com a Quercus.

Um programa de reprodução em cativeiro está a ser desenvolvido em Espanha, onde existem já três centros de reprodução. Para tal, linces que estejam em subpopulações inviáveis terão que ser capturados. Em Setembro entrará em funcionamento um quarto centro, na Extremadura. Estes centros têm por objectivo não só a recolha de animais feridos e crias abandonadas, e a criação em cativeiro, com o objectivo de libertar posteriormente os indivíduos, mas também a salvaguarda da diversidade genética da espécie e o estudo da biologia e ecologia do lince, bem como as doenças que o afectam.

Por cá, o primeiro centro de reprodução de lince-ibérico deverá começar a funcionar no início de 2009. O centro será construído em Silves e resulta de um acordo de cooperação entre Portugal e Espanha. Pretende-se recuperar os habitats para poder reintroduzir o lince em quatro pontos da Rede Natura, como é o caso da Serra da Malcata, lá para 2011.
E agora, digam lá: não vale a pena desesnvolver todas as iniciativas de preservação destes "gatinhos"? Basta olhar para a foto abaixo, de três exemplares nascidos já em cativeiro, para não hesitar na resposta...

29 junho 2008

Assim se marchou

Na escola dos meus filhos.
O S. Pedro, como não podia deixar de ser, presenteou-nos com uma ventania que crescia com o passar das horas...

Os primeiros a marchar foram os bebés, que iniciam sempre qualquer festa. Juntámos os da sala do ano com os dos dois anos. Aqui, a Mafalda e a mãe babada...


Outros mais crescidinhos, já autónomos.

O Vasco aqui, a desempenhar o papel de cavalheiro, na marcha dos finalistas da pré-primária.

Por fim, os meninos do primeiro ciclo.
Foi, como sempre, uma linda festa.
Seguiu-se o jantar, com tudo o que constitui uma ementa de confraternização típica das festas dos santos populares.
Boa comida, boa disposição, boa companhia e muitos meninos alegres.
A animação conseguiu ser mais forte que o vento.
E para o ano há mais!





25 junho 2008

"A Casa do Mundo" nas livrarias a 27 de Junho



Sai, na próxima Sexta, mais um livro do "Andarilho".
Tal como as Viagens Sentimentais, não é uma obra para quem embarca em excursões.
Se gostam do imprevisível, da magia de uma terra desconhecida, então, sigam o Tiago e...
... boa viagem!

Deixo-vos a apresentação que a própria editora faz do livro:

Tiago Salazar
A Casa do Mundo
Sociedade

Olhares de um admirável mundo velho
Chamar hoje Velho Continente à Europa é um anacronismo. As transformações verificadas nos últimos anos originaram um admirável mundo novo, com mil encantos ainda por descobrir.
Da luxuosa Riviera Basca à nova-rica Moscovo da era pós-soviética, dos históricos portos mediterrânicos da Côte d’Azur às montanhas búlgaras ou às capitais do Báltico, o viajante contemporâneo depara-se com a elegância e o charme de lugares históricos, mas descobre também novas tendências e novos mundos, onde palavras como hip, trendy ou cool são termos que caucionam a modernidade.
A Casa do Mundo é um livro de apaixonadas narrativas de viagens de um escritor e repórter pasmado com o que o admirável mundo velho tem de novo


“Neste livro, o Tiago Salazar mostra de que matéria é feito o seu sonho de viajante. Um homem sozinho na Casa do Mundo, sem nenhuma outra profissão de fé que não a de conhecer o mundo e nele se sentir em casa.”

Miguel Sousa Tavares in Prefácio

Tiago Salazar nasceu em 1972. Eterno finalista de Relações Internacionais, debutou no Semanário como jornalista, em 1991. Escreveu sobre artes plásticas, livros, cinema, pessoas célebres (e menos célebres), política, economia, sociedade, desporto e obituários. Mantém-se no activo como promitente escritor e andarilho profissional, ofício a que ninguém reconhece seriedade.
No Paleolítico Superior publicou contos no «DN Jovem» e no «DNa», do Diário de Notícias, no Expresso e na revista Ficções. Fez guiões para televisão, foi assessor do gabinete de imprensa do Instituto Camões e co-comissário de um salão internacional de artes plásticas. Colaborou ainda (orgulhosamente) com o Jornal de Monchique, onde assinou a coluna «Pirilampo Trágico», fez parte da equipa fundadora da revista Blue Travel e assinou a rubrica «Escapadas» do jornal Correio da Manhã. Tem ainda colaboração eclética e dispersa por outras revistas e jornais, da elegante defunta Grande Reportagem ao eterno Borda d'Água.
Em 2007 publicou Viagens Sentimentais.

Para mais informações:

23 junho 2008

Noite de S. João


(foto retirada do site "Olhares")

Mais uma vez, chega a noite de S. João e eu estou no local errado, na hora errada.
Lamento não estar na minha cidade do coração, acompanhada dos que me acompanhavam há anos, quando a mística se repetia sem mácula, plena de boa-disposição.
Era a noite mais longa do ano, só a folia e o alho-porro ou o martelinho é que eram certos. Tudo o resto, alegre improviso.

Lembro-me muitas vezes de um episódio que deixarei aqui, hoje, para assinalar a data.
Jantámos cedo, em casa dos meus tios. Eu e os meus pais, os meus tios e os meus quatro primos.
A seguir, rumámos à baixa da "Inbicta", foliões eufóricos.
Caminhámos um bocado -não muito, pois eu e o meu primo mais novo éramos ainda pequenos- até assentarmos arraiais na Avenida dos Aliados, para assistirmos ao espectáculo de fogo-de-artifício.
Nós, os miúdos, embora gostássemos de ver o ceu colorido, encolhíamo-nos perante o ribombar barulhento. Era um misto de assombro e receio.
A dada altura, a minha tia achou que o calor justificava a compra de gelados. Deu com uma senhora que os vendia, por entre a multidão, e lá lhe pediu, por meio de palavras e mímica, um gelado para cada um de nós.
O grupo era grande. A vendedora achou por bem passar-lhe os gelados, no meio daquele turbilhão de gente, dentro de uma caixa, daquelas de cartão, em que a própria marca fabricante os fornecia aos postos de venda.
Está a minha tia de braço esticado, tentando recolher a caixa por cima de um mar de braços e gente, quando uma senhora, sem ensaiar nem hesitar, estica o dela para dentro da caixa e, entre a pergunta "estão a dar? estão a dar?" e a falta de espera pela resposta, já se ia servindo...

20 junho 2008

As mãos

(desenho do meu filho)


NÓDOA

Nunca vi mãos
Como as tuas mãos
Desafiam poderes
E acrescentamentos.
São troncos de árvores
Milagrosos.
Desafiam o tempo, o gasto, o fim.
Estão prontas para apertar
Com força.
São dedos que acumulam
Séculos de sangue e nódoa.
(Poema de Raúl de Carvalho).

17 junho 2008

Marchas populares


Aqui para as minhas bandas, o santo que se comemora é o S. Pedro.
E a escola dos meus filhos assinala todos os anos as marchas populares, com um desfile onde todos participam, desde os bebés mais pequenos, que vão ao colo dos pais ou outros familiares, aos meninos mais crescidos.
O S. Pedro, normalmente, por esta época do ano, brinda-nos sempre com um fim de tarde ventoso, mas o espectáculo faz-se.
E é ver ritmos alegres aliados à sensibilização ambiental, mensagens de amizade tropeçadas numa coreografia que à última hora se esquece, bebés que não gostam de ter de ficar tanto tempo ao colo, salas inteiras que funcionam na perfeição, enquanto outros alunos se perdem nos ziguezagues tantas vezes ensaiados.
Faz tudo parte da festa e, como em todas as ocasiões, a escola realiza aquilo que me fez apreciá-la desde a visita em que fui, pela primeira vez, conhecê-la: não se limitando a exibir o estatuto de eco-escola, ela promove o ensino da preservação do ambiente e envolve os encarregados de educação nas iniciativas escolares dos miúdos.
Assim, hoje, ao fim da tarde, lá voltarei eu à escola.
Atenção: eu digo "voltarei à escola", não "vou à escola", porque ir, vou diariamente. Não é isso.
Refiro-me mesmo a voltar à escola. Estar no ginásio, a ouvir as orientações de quem coordena os ensaios e treinar, uma vez mais, a coreografia que irei executar em conjunto com outros familiares de bebés da sala da minha filha.
Não sei se haverá muitas escolas que o façam. Alguém saberá dizer-me?


15 junho 2008

A propósito dos 120 anos de Fernando Pessoa

(foto minha)

"Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também".



Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

13 junho 2008

Quem conhece?

Hoje, deixo um desafio a todos os que por aqui passam.
E não é mais um desafio dos que tradicionalmente se vêem na blogosfera, mas uma questão que gostaria de deixar no ar e que é:

Quem me saberá esclarecer acerca deste bichinho?

Vimo-lo no reptilário do zoo de Lisboa ficámos intrigados.
Infelizmente, a distracção vem sob todos os pretextos quando estamos com as nossas "feras", sempre irrequietas e a exigirem a nossa atenção, pelo que não me lembrei de ver a identificação.
Uma amiga disse-me que se trata duma salamandra aquática duma espécie ancestral, que apenas deve viver dentro de água, uma vez que tem as brânquias (guelras) desprotegidas, expostas.
Se alguém souber identificar, agradeço que me elucide.

11 junho 2008

A imaginação

"Onde deixámos a imaginação?"- questionei-me, há dias.
O mote para esta reflexão foram as dobragens que retrato na fotografia acima.
O quantos-queres da nossa infância é um convite que o Vasco recebeu para uma festa de aniversário; já os tubarões foram oferecidos aos meus filhos quando, no Dia dos Museus, saboreávamos o que o Museu do Mar oferece à vista dos visitantes.

Será só nos trabalhos manuais que a nossa imaginação perdeu agilidade?
Nah! Parece-me que em tudo...
Por mim falo: tanta coisa que podemos criar, mas, ocupados no mais trivial dia-a-dia, deixamo-nos enredar pelos mesmos gestos, os mesmos programas, as mesmas comidas, a rotina dos lugares de sempre.

Nada como um detalhe para nos trazer à cosnciência o que não se evidenciava.
Assim, já fiquei a matutar numas ideias para pôr em prática. começo por umas molduras em cartolina e depois ninguém me pára.
Já a minha mãe está cheia de vontade de levar o Vasco às suas aulas de artes decorativas.
Vamos ser uma família de artistas!...

08 junho 2008

Esta tarde...

(foto do nosso arquivo familiar)
... vamos descontrair e recarregar baterias.
Na praia, claro, que o Sol convida.

06 junho 2008

Feira do Livro de Lisboa


Ir à Feira do Livro sem poder de compra é masoquismo.
Ou amizade.
O Tiago, de que já "falei" neste blogue (ver etiquetas "Amigos Escritores" na barra lateral) estar na Feira do Livro de Lisboa na Terça, dia 10, ao final da tarde.
Desafiou-me a ir lá. Desafio difícil de aceitar, pois é como ir a uma feira de viagens sem intenção de viajar. Mas não dava para recusar. Os amigos marcam presença nos bons e nos maus momentos. E este é um bom momento.
Assim, lá estaremos. Por amizade, pois masoquistas não somos...
E, como está para breve o lançamento da sua nova obra andarilha, prometo dar notícias sobre tal acontecimento num dos próximos posts.
Será, certamente, mais uma leitura imperdível para quem gosta de conciliar o prazer de ler ao de conhecer outras paragens e culturas. Um estilo muito próprio, a proporcionar momentos de verdadeiro deleite literário. Garanto!

03 junho 2008

O Sonho de voar

Hoje, deixo-vos um texto do tempo em que colaborava nos desafios do DN Jovem.
Um artigo com cheiro a mofo, já que data de uma altura em que eu teria mais ou menos metade da idade que tenho.

Corria o ano do Senhor de 1709.
Num dia aparenteente igual a tantos outros -mas só aparentemente- na velha Lisboa joanina, eis que surge, "caído do céu", um engenho peculiar.
Quem primeiro repearou em tal cenário foi um velhote, maltratado pelos muitos anos vividos nesta terra, de parcos recursos mas que, assegurava a populaça, era um filósofo, no sentido não escolástico do termo.

- Ai Jesus, Nossa Senhora, que pássaro vem chegando?
E, com uma apoplexia que se diria queirosiana, não fosse o desfasamento temporal, o seu já fraco corpo estremeceu, tombando imediatamente.
Atraídas pelas suas palavras e divididas entre o auxílio de que o ancião necessitava e o êxtase causado pela contemplação de semelhante criatura ("De Deus ou do Diabo?"- questionavam-se), as pessoas foram-se aproximando do filósofo popular estendido no chão.

Lá em cima, num quase voo piltado por ele próprio, Bartolomeu de Gusmão, um jovem jesuíta, com maior queda (salve seja, pois o voo augurava ser bem sucedido) para a física e a mecânica, dividia os seus pensamentos entre estas e a sua educação religiosa.
"Meu Deus, perdoai-me se estou a desafiar as leis divinas".
Simultaneamente, meditava: "Se Ele nos proporcionou um dia tão claro, tão isento de núvens, não estará, certamente, a condenar o meu invento".

Mas a dúvida permaneceu no seu íntimo, aumentando a cada ligeiro solavanco da Passarola.
"Não. Como poderíamos desfaiar as Suas leis se Ele nos criou sem limites para a nossa capacidade inventiva? Se no-la deu é porque nos permite explorá-la.
Olha, a Sé ali à esquerda! Espero que não seja sacrilégio elevar-me aima dela. Talvez não. Nosso Senhor tem meios para nos repreender. Ter-me-ía segredado o seu descontentamento ou enviado uma trovoada, através de S. Pedro. E esta máquina de voar nada poderia contra uma trovoada..."

Mas, não manifestando a sua ira, Deus mostar-se mais compreensivo que os Inquisidores. esses humanos desumanos tudo farão para impedir que o sucesso desta experiênciaseja divulgado.
Com a bênção divina, a máquina de andar pelo arprossegue viagem, sã e salva, até ao Terreiro do Paço. Aí, entre olhares pasmados e exclamações de "Vem alguém lá dentro!", Bartolomeu prepara-se para "baixar à terra".
- Deus Nosso Senhor me proteja e auxilie...

Quanto mais a Passarola baixava, mais o povo se afastava, reticente.
Dez
Nove
Oito
Sete
Seis
Cinco
Quatro
Três
Dois
Um
Chão!

A máquina de voar tocara o solo com uma leveza angelical. A Inquisiação maldizia o jovem sacerdote, à medida que se preparava para lhe deitar as garras.
Mas teve que continuar aguardando tal momento, dado que El-Rei D. João V acabara de surgir junto da multidão dividida entre aqueles que batiam as palmas e os que faziam o sinal da cruz.
D. João V congratulou Bartolomeu e nem os todo-poderosos Inquisidores, que mandavam para a fogueira milhares de pessoas por dá-cá-aquela-palha, lograram abafar o estrondoso primeiro sucesso da aviação, protagonizado pelo português Bartolomeu de Gusmão e retratado em inúmeros livros, uma ópera, um painel no aeroporto da cidade onde a experiência teve lugar...

01 junho 2008

Dia da minha (2ª) criança

Foi, desde o início, uma aventura inigualável.
Ainda nos primeiros dias de gestação, gozou a diversão de participar numa prova de canoagem, a minha estreia e (infelizmente) até agora, única prestação, na modalidade.

Os indícios de gravidez foram confirmados pelo teste, de resultado positivo. Mas, de bebé, nem sinal... As ecografias deixava-nos suspensos, numa espera frustrada e ainda sob o fantasma de uma recente gravidez mal-sucedida.

Mas o coraçãozinho que tardava em mostrar-se acabou por se revelar.
Cheio de vida e cheio de ritmo.

A gravidez foi de risco desde o teste positivo até ao parto.
Dois descolamentos de placenta nas primeiras semanas não permitiam que o obstetra nos tranquilizasse. Fui obrigada a repousar o mais possível durante algumas semanas.
Aos quatro meses e meio, factos que vieram perturbar a minha vida pessoal e profissional conduziram a nova baixa. As contracções -que com o Vasco haviam começado semanas antes do termo da gravidez- faziam-se sentir constantemente, por vezes de forma dolorosa.

Muitas preocupações significavam adrenalina extra para a bebé.
Na fase final da gestação, o luto pelo meu pai trouxe maior receio por um parto prematuro.

Mas nada disto se reflecte na criança mais "eléctrica" que conhecemos (não somos só nós a dizê-lo). A Mafalda foi uma vencedora que se recusou a nascer até às 39 semanas. E, quando chegou a hora de nos querer conhecer, tínhamos tudo planeado para o acompanhamento pelo médico da nossa confiança e ela colaborou na realização dos nossos planos.
Bem, até certo ponto... É que a dada altura deu mostras da sua ânsia e não esperou que a enfermeira voltasse com o obstetra, que queria estar presente na sua chegada ao mundo.

Nasceu num ápice, como que a reiterar a minha convicção de que tão difícil como o primeiro parto, este não haveria de ser.
Nasceu e encantou-nos total e imediatamente. No meio das convulsões de frio, chorei de alegria as lágrimas que não conseguira chorar pelo Vasco, extenuada demais.

Chorei pela culpa de não ter podido saborear tanto a sua gestação como a do irmaõ.
Chorei pelo meu pai.
Chorei pela beleza da bebé e pela atenção daqueles olhinhos recém-nascidos.
Chorei pela alegria imensa que é concretizar o sonho de uma vida: ser mãe. Em duplicado.

A minha filha é alegre, extrovertida, mandona, destemida, adora música e miminhos. Luta diariamente contra o sono, que considera inimigo da brincadeira, e recusa-se a falar melhor porque se faz entender de outras formas; é muito expressiva.
É dona dum cabelo louro e duns olhos azuis que nos fizeram andar a indagar a origem dos nossos genes. Sabemos que não foi trocada, pois limparam-na e "rotularam-na" com a pulseira sempre na mesma sala, a de partos.

Hoje, completa dois anos. Dois anos e eu ainda olho para ela a pensar "que obra tão perfeita!".

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