Extrovertida e inquieta
Ela celebra cada dia
E hoje, primeiro de Junho,
Faz dez anos de alegria
Melómana e bailarina
Coreógrafa da ternura
Vive às mil rotações
Por minuto de aventura
Salta, brinca, cria, dança
Nada deixa por inventar
A minha filha, sempre criança,
Acende sorrisos com o olhar
Com gargalhadas contagiantes
Cativa todo o desconhecido
Os olhos azuis, mais que brilhantes,
Pintam o nosso mundo de colorido
À minha Mafalda querida
Ode ao amor, menina-furacão,
Desejo que tenha, sempre, na vida
Amigos, ternura e determinação.
01 junho 2016
09 maio 2016
Um dia, chega a notícia. Aquela pessoa com quem convivemos poucos, mas marcantes dias, e com promessa de mais, partiu. Já não sofre.
Fica um vazio naqueles períodos incertos do calendário, onde julgávamos que nos reencontraríamos. Fica a sensação de amizade interrompida. O lamento pela partida de quem parecia que faria parte das nossas vidas dali em diante.
As mortes parecem nunca ser esperadas. Mesmo na doença. Mesmo quando tentámos preparar-nos.
Na semana passada, foram duas. Uma do pai duma amiga e esta, duma amiga a 300 quilómetros. Sempre o mesmo legado: isto é tudo a correr. Crescemos, esforçamo-nos a estudar e a trabalhar para termos filhos que crescem a correr. Acarinhamos a correr, sonhamos pouco, fazemos a nossa parte pelos sonhos e perdemos âncoras. Âncoras emocionais. Tudo a correr. Talvez só o sofrimento não corra.
Vivamos. Como aqueles que se casaram pela terceira vez. Como aqueles que hoje completam mais um ano de existência. Como os que agarram o sonho pela coroa e se coroam imperadores do agora, senhores da alegria de estar cá. Legisladores do sorriso. Reis do amor.
21 abril 2016
Pai
Chamava-me Filoxera
O Porto o viu nascer
A ordem dos factos é outra
Mas por esta o quero dizer
Lembro o meu pai-herói
Faz dez anos que partiu
Abalara já na garupa
Da memória que lhe fugiu
Era Rui e era Barros
Não jogava futebol
Com uma lupa acendia
Cigarros expostos ao sol
Fez teatro n’Os Modestos
Na juventude do tempo
Escreveu para os jornais
Leitor crítico e atento
Homem sempre de Abril
Desde o berço até à morte
Votou, amou e viveu
Do lado esquerdo da sorte
Dançou quando eu nasci
Q’ um homem também dança
Se contido, mas babado
Ao nascer-lhe uma criança
Chorava as dores alheias
Vivia de punho erguido
Dizia que o povo unido
Jamais seria vencido
Apontava-me os beirais
Na primavera, exultante
Saudando as andorinhas
No regresso triunfante
Ensinou-me a perseverança
A rectidão e a coragem
Mostrou-me, desde criança,
Como viver esta viagem.
14 abril 2016
Tudo começou com uma batuta que ganhou vida e saltou da mão do maestro. Estávamos no penúltimo andamento do concerto.
Uma risota. Conseguiste não a apanhar em pleno voo. De outra forma, teria sido o fim do espectáculo. Um riso incontido ecoando por toda a sala. Maestro e músicos descompassados, a confusão reinante.
Sonos de não dormir, até tarde. O almoço lanchado. Gente nómada com cadela atrelada. Miúdos eléctricos de fritar cérebros.
A cozinha no centro das operações e tanto que rir, tanto que falar. Refeições inquietas, o serão vagueando por Marte. A lembrar aquele jantar, quando a criança arrota e a mãe pergunta: “O que é que se diz?”, sendo a resposta pronta: “Arrotei!”.
Filmes e mais cinema, das pipocas ao pecado da não gula.
O dia a terminar com a cadela a correr, e o dono em sentido contrário. Perdidos de riso, misturam-se polares. Serão ursos? Serão roupas? Roupas não são, certamente. E os ursos não riem assim.
(só para dizer que o humor faz sentido para quem detém o código).
21 março 2016
No Dia Mundial da Poesia
O meu poema
O meu poema
Esconde rios de lágrimas vertidas
Nas searas da nocturna desilusão
Regando antigas mágoas, renascidas
Em madrugadas prenhes de solidão.
O meu poema
São as dores duma nova sepultura,
Cavada com braços firmes, feitos pranto,
Onde enterro os despojos da ternura
E acolho nova era de desencanto.
Mas…
O meu poema
Espelha todas as estrelas que no céu brilham,
A luz que permite um novo dia,
As brincadeiras infantis que se partilham,
Os arco-íris que dão ouro à alquimia.
O meu poema
Guarda as sementes de todas as esperanças,
A chuva batendo, de mansinho,
As cantilenas sorridentes das crianças
Em campos de alfazema e rosmaninho.
O meu poema
Revela um corpo aberto às sementeiras,
Dunas agrestes onde aportam gaivotas,
Estrelas cadentes e terras sem fronteiras,
Mapas velhos, contendo novas rotas.
O meu poema
É o cabo das tormentas já dobrado,
É a arte, o sonho, a força e a glória,
A boa esperança de te ter sempre a meu lado,
O brinde à conquista da nossa história.
08 março 2016
No dia da mulher. Que é, como todos, também dia do homem
No dia da mulher…
Não me dês palavras. Rouba-me uma dança.
Não me elogies. Faz com que eu me aperceba que me admiras.
Não me desejes um dia feliz. Sê feliz comigo.
Não me perguntes pelos filhos. Sussurra-me mundos não sonhados.
Não me leves jantar. Dá-me à boca a gula partilhada.
Não tomemos um copo num bar. Faz do meu umbigo a tua taça.
Não me fales do mundo. Inventa comigo um universo nosso.
Não me ofereças um perfume. Tatua o teu aroma em mim.
Não me presenteies com nada de material. Só te quero a pele.
Não esperes que te responda. Cala-me com um beijo quente.
02 março 2016
Viver de forma arrojada, sabendo que se fez o que de menos rotineiro se podia fazer. Arriscar, ousar. Sentir a satisfação do que emociona, do que supera, do que se partilha e do que se inventa.
Conseguir o que não se acreditaria possível se não se experimentasse. Visitar um lugar onde nunca se foi. Ter a coragem de vencer o receio. Fazer algo nunca feito.
Haverá melhor do que sentir que tudo isto após os “enta”?
A sentença “a vida começa aos…” sempre me pareceu descabida. Mas certos momentos recordam-nos que muito de bom pode estar para vir. Para ser construído.
Faz. Faz agora. Com companhia, com o coração apertado, com as palmas das mãos suadas, sem dinheiro no banco, sem reticências no peito. Vai. Dá tudo. Despeja-te de ses. A única condição é viver. Sentir o percurso daquela seiva vermelha que nos repõe o oxigénio em todo o ser. Sê!
16 fevereiro 2016
Difícil é começar.
Depois, é um longo Domingo de amor.
Domingo com sabor a Sábado e a sal. A cloro e a liberdade. Num mergulho de imersão com braçadas conjuntas.
Sabemos o que é bom e queremo-lo em uníssono. Às vezes o Universo conjuga os astros e a luz incide sobre os afortunados que a merecem. Nenhuma supernova pode desunir o que as estrelas da fortuna juntaram.
Quem não precisa de nada já tem tudo. Este é, como se sabe, o ponto de partida da felicidade. Que existe, acreditem.
O maior bem não tem custos. É gratuito. Podem chamar-lhe sorrisos, abraços, ternura, partilha, admiração, confiança, respeito. Amizade. Amor.
O maior bem é reconhecer que se tem tudo isto. E vivê-lo. Como sabemos tão bem.
07 fevereiro 2016
Mafra. Uma fachada que sempre me apaixona. O sonho começa aí. Baltasar e Blimunda que me acompanham há quase uma vida, num imaginário literário que ajuda à montagem das cenas de época.
Um palácio que nos recebeu com o frio típico, secundado pelas belezas da arquitectura e das artes da nossa história. Vamos conversando; também com as senhoras que guardam este tesouro e trabalham com o gosto e o orgulho que a nação parece não aprender.
Esculturas, pinturas, bordados e jogos de salão a puxarem pela imaginação do cidadão actual na reconstituição da vida dos monarcas no tempo dos dinheiros vindos do Brasil.
Salas de azul, amarelo ou vermelho vestidas, num esplendor sóbrio de quem apreciava a caça e a oração, ou não fosse a devoção estar provavelmente na origem da construção do palácio, contida na promessa de cura do rei.
O joanino-absoluto e o novo paradigma artístico encanta-nos. São dois torreões imponentes, duas alas de imponente bom gosto e uma enfermaria com altar e nichos individualizados por cada doente.
Uma biblioteca com mais de 36000 volumes do séc. XV ao séc. XIX, conservados com o trabalho voluntário dos incansáveis morcegos.
A basílica, os seis órgãos, os dois carrilhões de Antuérpia, tudo conjugando-se para que o mais ateu dos cidadãos anseie por ficar e perder-se no tempo. Saindo, as esculturas da escola de Mafra parecem escoltar-nos ao fim duma tarde mais-que-perfeita e fazer-nos prometer o regresso.
27 janeiro 2016
Era Inverno
(foto cedida pela minha amiga Fátima C.)
Comecemos pelo fim.
Pelas magnólias.
Era Inverno, lembras-te? Não parecia, mas era Inverno.
Não parecia haver muita gente, mas havia. E havia cães, surfistas, o mar com sets de encaracolar, a luz de encandear. A conversa a calar e a sobrar.
Era um Inverno de derreter gelados. Uma música só audível por um curto lote de eleitos. Os designados pelos deuses que regem as rotações do planeta numa escala menor que a dos seres que nele habitam. Porque aos seres, uma centelha basta e está um novo mundo a começar. Uma palavra. Uma audácia.
Um universo multicultural com tantos pontos de intersecção quantos os que duas circunferências podem ter. É como no tango: dois. Basta.
A linguagem corporal não precisa de tradutor nem de revisor.
Um mais um continuam a ser dois. Até aí, ainda sei.
Não sei como viemos aqui parar. Mas era um dia de magnólias. E era Inverno.
23 janeiro 2016
Máximo Dez Unidades
Esta é uma história de encanto à primeira vista.
Comecei a ver “Máximo Dez Unidades” porque sou fã do Morgan Freeman. Depois fui ficando. Enlevada, por uma série de motivos.
Estava a precisar de renovar energias, num dia de novelo interior. Esta história, duma subtil ternura inesperada, foi o palpite certeiro.
Deixei-me sorrir em crescendo, num enamoramento completo. A música. O argumento. Os pequenos dramas humanos. A graça. Os contrastes. A lei da imprevisibilidade.
Esqueçam tudo o que aprenderam sobre relações humanas. As amizades improváveis só acontecem se se vive de mente e coração abertos. Mundos distintos convergem num universo em expansão porque tem de ser. Há coisas que não obedecem à racionalidade.
Podia enumerar dez razões pelas quais me apeteceu rever este filme logo de seguida. Gargalhadas súbitas constantes, o ritmo musical que se insinua sob a pele como uma paixão recém-chegada. O sorriso, sempre. A lei suprema do enamoramento.
Os amores não se explicam. Sentem-se. Transportam-se intimamente, à vista de todos.
Um entretenimento sem enredo de amor, sem cenas de sexo. Experimentem. Um Morgan Freeman a fazer de si mesmo, uma Paz Vega que, num momento de contrariedade, conhece quem vem a desconstruir a sua ideia de tudo. Que a vida está a começar sempre. E os encantos também.
11 janeiro 2016
David Bowie
Viveu intensamente.
Descobrir o dom é só o início.
Depois, vem a perseverança. O êxito não goteja do ar.
Os artistas (em qualquer escala) têm montanhas-chinesas, ou
lá o que é, de humores e de momentos. A criatividade é um dom exigente mais
exigente que um bebé. Com um adversário: o chamado “sistema”, sociedade, o que
quiserem chamar-lhe. Burrice, por exemplo.
Morreu com estilo. Um safanão que mexeu com o mundo. Como ele
sempre mexeu.
Como continuará.
Não foi um menino-pop do momento, uma estrela postiça do
consumismo imediatista. Foi um criador arrojado, um homem-camaleão, alguém que
fica. Na música, como cantor, compositor, músico dos N instrumentos, produtor, no
cinema como actor. E pintou.
Crescemos com a sua imagem mutante, a sua música inovadora,
os visuais extravagantes.
Faz parte das referências da minha geração. De outras,
também.
Hoje, até os nossos filhos ouvem David Bowie. Em lição
caseira. Das que mais contam.
05 janeiro 2016
O nunca mais e o para sempre.
O ruído de fundo e a banda sonora.
O muito escolher e o pouco acertar.
O querias mas já não há.
A vida a fintar-nos e nós a brincarmos com ela.
Nunca é/há tempo para nada e estamos sempre a tempo de tudo.
Um contrasenso que acordámos desde o momento em que respirámos pela primeira vez.
Uma aventura muito séria, vivida com humor.
Vê melhor quem ri por último. Ou será “Em Agosto, toda a fruta tem gosto?”...
15 dezembro 2015
O teu sorriso
O dia sem cor.
As horas, amorfas, pedem uma acendalha que os olhos não alcançam, hoje: o teu sorriso.
Tardes assim, nostálgicas como a chuva, convocam memórias de gargalhadas cúmplices, gestos marotos.
Refugio-me na cozinha. Começo pelas panquecas para o lanche e, enquanto tento mantê-las direitinhas com umas mãos inquietas, penso noutras mãos, descobrindo prazeres escondidos em locais seríssimos, fintando presenças desconhecedoras. Sorrio por dentro. Um sorriso quente.
Depois, o mais demorado. Preparar o refogado, o bacalhau, as batatas. Um bacalhau com natas numa versão diferente da habitual. A lembrar a originalidade de cada momento nosso. O improviso, a gaffe, os diálogos em que me sinto sempre parva, como na primeira vez. O rirmos de nós mesmos. Tontices de meninos, em saídas de gente semi-crescida.
Por último, as maçãs para assar. O aroma que toma de assalto a casa, recordando-me o teu. Os nossos. Numa fusão de alta temperatura que faria do forno um parente afastado do frigorífico.
Quando termino a empreitada na cozinha, tenho já o teu sorriso na minha cara.
Mas só eu sei que é teu...
05 dezembro 2015
Quando chegas e dizes "leva-me para a cama", os meus pés fogem à força da gravidade.
Levo-te, levamo-nos e o licor que me corre nas veias torna-se o combustível dessa aeronave que inventamos nas nossas peles. As mãos escaldam. E levanto voo. Contigo. Como tinha de ser…
Somos dois a querer subir pelo azul do céu, e é sabido que dois a querer o mesmo dá resultado mais perfeito que o da matemática.
Mergulhamos juntos no algodão doce das núvens, alcançamos as estrelas. Secretamen...te nossas. Nem elas conseguem ofuscar o teu sorriso, nesses momentos…
Por mais que pairemos acima do belo, do imponente e infinito mar, não nos cansamos de saber o mundo lá em baixo.
E aí, não há palavras, não há ciência, não há saber mais comprovado. Não existe regra mais acertada. O sentimento é como o desejo, mais poderoso que qualquer ciência. Como tinha de ser...
Levo-te, levamo-nos e o licor que me corre nas veias torna-se o combustível dessa aeronave que inventamos nas nossas peles. As mãos escaldam. E levanto voo. Contigo. Como tinha de ser…
Somos dois a querer subir pelo azul do céu, e é sabido que dois a querer o mesmo dá resultado mais perfeito que o da matemática.
Mergulhamos juntos no algodão doce das núvens, alcançamos as estrelas. Secretamen...te nossas. Nem elas conseguem ofuscar o teu sorriso, nesses momentos…
Por mais que pairemos acima do belo, do imponente e infinito mar, não nos cansamos de saber o mundo lá em baixo.
E aí, não há palavras, não há ciência, não há saber mais comprovado. Não existe regra mais acertada. O sentimento é como o desejo, mais poderoso que qualquer ciência. Como tinha de ser...
22 novembro 2015
01 outubro 2015
Os olhos aguados pela perfeição do momento.
Absorvendo estes azuis, o marulhar da água, a
mais-que-perfeita temperatura da luz solar, a aragem acariciando-me.
Na paz dum areal partilhado com as gaivotas e pouco mais, até
o livro, minha companhia incondicional, ficou suspenso.
Um momento que me soube a poema. Escrito de improviso, que,
como sabem, é como alguns prazeres engrandecem.
Alimento-me do que é belo. E descubro o belo que, a tantos, passa despercebido.
16 setembro 2015
Apresentação do meu novo livro, "Inquieta Ventania", no Porto
A "montra" :-)
A mesa
Da esquerda para a direita:
José Gomes, dinamizador das Noites de Poesia de Vermoim
Maria Mamede, que apresentou autora e obra
Sofia Champlon de Barros, autora
Paulo Afonso Ramos, editor
Mário Jorge Martins, representante da Junta de Freguesia de Vermoim
A sala
Autógrafos
Escola Príncipe da Beira, em Gueifães, onde decorreu a apresentação.
27 agosto 2015
Apresentação de "Inquieta Ventania" na região do Porto
Será já no próximo dia 5 de Setembro que terei o gosto e a honra de poder apresentar o meu novo livro, Inquieta Ventania, às 21.30, na escola Príncipe da Beira, em Gueifães (Maia).
A minha amiga Maria Mamede fará a apresentação, para a qual convido os leitores e amigos. A sessão é pública e de acesso livre e será um prazer encontrar-vos lá.
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