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16 novembro 2013

Oásis


(imagem retirada da internet)

Um oásis pela frente.

O calor evolando-se do chá de menta, dos corpos lânguidos, ocultos pelos véus.

Uma dança do ventre que se solta duma carícia, na tenda secreta, de entre almofadas multicolores.

Há palmeiras a derreter nos últimos acordes de Sol. Rosas do deserto escondendo-se dos ventos contra-alísios.

Espíritos encantados por flautas que desencantam serpentes.

Aromas de narguilé embriagam o ar quente e os sentidos.

A imensidão das dunas, pequena perante as nossas viagens pelas palavras.

11 novembro 2013


Fica.

Em silêncio.

Não quero falar. Deixei de falar.

Como diz um amigo, “por vezes cansa estar sempre a responder ao óbvio, ao que não nos apetece”.

Tenho demasiadas coisas guardadas cá dentro. Não quero lembrá-las.

Quis alguém que soubesse ouvir.

Sem responder com angústias próprias, sem comparar dores.

Porque não se sabem os percursos. As cicatrizes, os sorrisos.

O meter na cabeça que se consegue. Que tem de se conseguir. O desgaste.

O espanto pelo tanto que se alcança.

Um paradigma particular, um modo de vida reinventado.

Por vezes penso exilar-me no meu interior.

Depois, a existência pede-me que escreva. E eu obedeço-lhe.

Por palavras meias deito fora os escombros.

Prossigo, livre. Transporto apenas as boas memórias. Até novo tremor de vida.

Sei que então não me faltarão socorros.

A palavra escrita. Ou tu.

20 janeiro 2013

Abrigo



O tempo pára quando contigo me deito. Faço-me tua, saboreando-te me deleito. Sigo-te os gestos. Os murmúrios. Os beijos. O ritmo que me inflama. Na soleira da nossa cama.
O tempo que pára para nós, nas vontades cegas de tanto amar. Nos corpos desejosos de se abrigar. Na urgência de fugir e de partilhar. Abrigo livre onde vens desaguar. 

04 outubro 2012

Mantenho o silêncio



As palavras valem o que valem.

Palavras prometidas podem nada contra a inércia da vontade.

No desencanto, não há brilho que as palavras possam conferir ao olhar.

A dor da fome não se alimenta com palavras.

A mais bela poesia não confere colorido a uma alma enlutada.

O desamparo precisa de um abraço permanente, de um carinho coerente, não quer saber de palavras.

Palavras não saram o arrependimento nem desfazem o erro.

Gosto do olhar.

Regozijo-me no abraço.

Sorrio enlevada por acordes musicais.

Saboreio o calor do Sol na pele, a luz que acorda sensações.

Gravo na memória a gargalhada infantil dos meus amores.

Deixo-me ficar no rumorejar das ondas num namoro eterno com a areia.

Prezo a atitude.

Desprezo tantas palavras…

01 julho 2012

A embriaguez dos amantes



Servido na pele, o néctar da embriaguez dos amantes
Conduz-nos, indolentes, por trilhos de alegria.
Sob o manto da noite, as gargalhadas sonantes
Substituem o sono casto pela euforia.

Rompemos, subitamente, num riso incontido,

Que despoleta a arma da nossa fantasia.
E, munidos apenas dum desejo despido,
Esbanjamos munições na derme que se arrepia


Ao sabor da corrente, que nos percorre quando
Sorvemos paixão em goles sensuais,
Bebedeira dos sentidos, quase nos engasgando,
Espiral que nos envolve num querer sempre mais.


23 janeiro 2012


Construo novas formas de existir. Porque o que importa mesmo, é viver.
Com noites ou madrugadas, vividas ou inventadas. Sentidas.
Afasto receios e angústias.
Abro a alma ao Sol e as emoções proibidas passaram a ser autorizadas.
Numa vereda que se percorre.
Quem sabe na tua companhia... Numa nova era que se descobre.

12 janeiro 2012

Saber





Saber que as palavras são nada quando se sente assim.
Saber cada instante nosso, que é memória selada em dois colos que se dão.
Saber da paixão, rastilho de um amor em expansão, num universo estrelado.
Saber das vagas do mar, frágeis ondas homenageando as nossas marés.
Saber da lava que brota do vulcão de nós, fogo sempre renovado.
Onde moram beijos enlaçados, em saudade que se mata com braços e pernas.
Saber que te sinto. Agora. Sempre.
Sem explicação…

 

06 dezembro 2011


Quando Dezembro se instaura, os dias recuam, as noites prolongam-se, o frio instala-se.
O mês tem um certo tom de fim. Fim de um ano, de um ciclo.
Soa a festividade obrigatória.
O canto dos pássaros é substituído pelos jingle bells, a solidão velada e fria de tanta gente contrasta com a amálgama consumista, os jantares de empresas, as reuniões com data marcada.
Dezembro é mês de festa, dizem.
E eu continuo a espantar-me com tudo o que consigo incutir-me a mim mesma sobre esperança, partilha, determinação.
E deixo-me encantar pelas promessas com que me levo a minha própria vida, assim, pela mão…


24 novembro 2011



Vim. Perco-me em ti vezes sem conta,

Invento um oceano que sentes em mim,

Faço do tempo nosso aliado,

Como relógio sempre avariado.


Vim. Adormeço em ti, após o acto mais nobre,

Invento novas formas de te sentir.

Fecho os olhos, no teu ombro, no teu cheiro,

Minha loucura, meu devaneio primeiro.


Vim. Repito o teu nome, chamo-te, reclamo-te,

Grito em prazer o doce que és e que quero.
Abandono-me, presa a ti, à cama, a tudo
Sabendo que hoje, amanhã e sempre te espero.

18 outubro 2011

Desvelo


Que cada dia traga a alegria de uma promessa

Que todo o gesto enxugue as lágrimas incontidas

Que a noite te afague num carinho que não esqueça

E o vento te ofereça as alegrias prometidas



Que os impulsos dessa alma de aventureiro

Sejam passos inventados a cada nova dança

Que toda a casa albergue amor verdadeiro

E a ternura seja o espelho de qualquer criança



Que qualquer estrada desemboque num moinho

Que o presente seja um livro ou um brinquedo

Que haja sempre pão e nunca acabe o vinho

E que cada jardim conserve um segredo



Que todos possam, sempre, ouvir cantar

Essa voz doce, de eterno trovador

Que quando sentires vontade de chorar

Sejam gotas de alegria na oferta duma flor


02 outubro 2011


Tenho palavras escondidas, que adivinhas, porque não as sei contar,
Tenho um sorriso que te espreita, de longe, à espera do teu olhar.
Tenho um rio que corre, incansável, em maré que enche, devagar,
Tenho um abraço alojado no peito que não se cansa de te esperar.

03 setembro 2011

Das palavras que te deixo *


Ausculto-te a pele com este olhar
Que ri quando navegas comigo,
E no meu peito, teu eterno abrigo,
Nascem marés por desnudar.

Dos teus olhos desprende-se o mar
Em ondas que te banham o queixo;
E então, das palavras que te deixo,
Pintamos sonhos por inventar.

* título da autoria de uma amiga

04 agosto 2011

Eu queria viver num sonho...

Percebeu que podia desenhar o mundo e reinventar a vida em todas as suas formas. Desenhou sorrisos a todas as crianças, inventou dragões verdes voadores e carinhosos, grandes contadores de histórias, descobriu que os barcos podem voar e desenhou flores coloridas em todos os parapeitos das janelas.

A seguir, traçou  constelações que atapetavam o chão por onde mães e pais caminhavam, com crianças pela mão, a caminho de escolas decoradas com chocolate e rebuçados.
Pintou namorados dançando sob chuvas de flores, reencontros eufóricos de amigos que o tempo afastara, orquestras tocando sinfonias de alegria, cidades com paredes naives e surrealistas, pic-nics campestres sob mantas de ternura.
Desenhou ainda jardins onde piratas haviam, outrora, enterrado arcas com sonhos de ternura à vista de todos. Manhãs de aguaceiros improvisadas numa esplanada à beira-mar, ao som dum gin tónico partilhado por almas siamesas vestidas de algodão doce.
Texto escrito a partir dum comentário (no início, em itálico) que uma amiga deixou numa foto que publiquei aqui, onde ambas sonhamos, acompanhadas por outros sonhadores.

15 março 2011

Saíam-te dos dedos palavras, sorrisos sentidos

Trazidos pela luz, ao som do relento

Adivinhava-te segredos tão bem escondidos

Enquanto a chuva caía, batida a vento

E banias a noite escura, ao raiar do dia

Nesse olhar doce, de trovador vaidoso

Deitado no silêncio, que tão bem conhecia

Náufrago na corrente desse rio perigoso.

Esperando manhãs claras, nesse ir e vir,

Eras corrente calma, após a tormenta

E brindavas o dia assim, a sorrir,

Como quem na palete de pintor se inventa.

13 janeiro 2011

Amanheço-me em ti.


Acordo e fico a vigiar-te o sono


O dia espreita, de olhar malicioso


E recordo, da noite, o nosso abandono


Cujo aroma conservo, delicioso.


Amanheço-me em ti.


O Sol quente, na minha pele tatuado,


Escondeu de nós a sua amante Lua


E derrama-se sobre o teu corpo, deitado


Aquecendo-te como eu te aqueço, nua


Amanheço-me em ti.

05 janeiro 2011

Tivesse eu as palavras certas para te dedicar

Quando ficasses refém desses medos e gritos

E o sorriso franco desaparecesse desse teu olhar

Como agora, em que choras rios infinitos

Soubesse eu cantar-te canções de embalar

E deixar-me, lentamente, adormecer contigo

Numa noite fria e escura, de ventos e luar

E o meu peito seria o teu porto de abrigo

Tivesse eu a coragem de as lágrimas te enxugar

Cobrindo-te os lábios de beijos inventados

E sei que voltarias a rir e a dançar

Num ritmo surdo de amantes embriagados

11 dezembro 2010

Procura-me nas marés da vida

Na busca poética de quem quer

Atrever-se numa emoção incontida

Descobrindo que há tudo para viver



Encontra-me no silêncio da canção

Que ecoa, num sorriso convertida

No vento que sopra, na inquietação

Em que navegas, numa rota proibida



Abraça-me nessa onda suave e lenta

De quem a toda a hora se reinventa

Pela paixão de velejar em águas quentes



Que, quando me abraças, o abandono

A que me dou é deleitoso qual sono

Dos amantes saciados, sorridentes

12 novembro 2010

Dizem que vai chover.

Não sei onde ouvi, mas dizem que vai chover.
Nem liguei, para perceber se diziam onde: na estrada, no passeio, no campo ou na montanha.
No trilho que os meninos percorrem a caminho da paragem do autocarro, no viaduto que coroa a cidade, no castelo que ficou de tempos antigos.
Pode vir a chover na praça, no bairro, no mar ou no deserto que é o teu percurso. No rio ou no vale que é o meu íntimo. Porque, às vezes, chove cá dentro.
É nesses momentos que tu surges, trazendo o Sol nesse teu olhar que me inunda.
Por isso não liguei às vozes que dizem que vai chover. Não me importa onde.
Haverá sempre manda-chuvas. A questão é nem lhes ligarmos…

31 outubro 2010

Mordendo a lua

Escrevo e apago. Crio e destruo.

Estou nula de palavras e quase amuo.

Não me agrada o que sai desta névoa de mim.

Queria abrir o coração, mas fico assim…

No céu, a Lua cheia que me incita

- Essa mesma Lua que me grita -

“Deixa-te de mágoas, goza a liberdade!”

E eu, estúpida, a afundar-me em saudade.

Estivesses tu aqui, comigo, mana minha

E outra seria a história desta ladainha

Assobiando juntas mais que o vento,

A conversa voando nas asas do sentimento,

De luz apagada, assomávamos à janela

Espreitando a vida que existe, paralela

À que cá dentro nos atormenta por vezes

Na nostalgia típica dos portugueses.

Mas tu não estás, e eu quedo-me, escutando

Os acordes de piano que se vão libertando

Do cd que me embala a alma vazia, nua

Lembrando a noite em que mordemos a Lua.

(nota: título e foto da autoria de uma amiga)

19 outubro 2010

Enquanto honrares a vida

Abraçando os nós que inventas

Saberás que só há dor

E inquietação no que não tentas



Enquanto celebrares a paixão

Em voos rasantes improvisados

Os teus passos guiar-te-ão

Por trilhos ilimitados



Enquanto criares poesia

Em odes de queimar a pele

A alegria será esculpida,

Moldada pelo teu cinzel



Enquanto cantares a saudade

E a souberes gritar assim

Sei que não te deixarás morrer

Antes da hora do fim

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