29 setembro 2009

Momento único


(foto da minha amiga "siamesa"; ela sabe quem é...)

A manta de Outono feita de folhas convidou-as. Aceitaram o convite e atiraram-se sobre o tapete relvado, pontuado destas folhas que ambas adoravam. As siamesas, não nascidas juntas mas unidas pelo coração, so to speack. Mulheres de emoções, todas viradas para o pormenor, seja ele um arco-íris, um sorriso, uma mão de criança, uma pintura dum filho. Os abraços acumulados já exigiam braços de polvo, os quatro das duas já não chegavam.
Ficaram deitadas, lado-a-lado, olhando para o céu, apreciando o céu azul, manchado de branco, enquanto os dedos de conversa transcorriam, soltos e cúmplices. Passaram horas, o cheiro a terra envolvendo-as num cenário que parecia durar apenas alguns minutos, porque a amizade pede tempo e a confiança apazigua a alma.
Os passos, mais ou menos apressados de quem ia e vinha, os risos dos adolescentes, os chutos na bola dos miúdos que brincavam, a delicadeza do toque suave dum casal de idade, tudo era apenas moldura. Parecia um filme. Um momento perfeito, único. A comprovar a importância da proximidade, ainda que à distância.

27 setembro 2009

Viva a Aventura!


Foi há uma semana. A Mafalda escalou a parede completa, a mãe babou enquanto metade das pessoas que se encontravam na iniciativa desportiva de Cascais pasmava com a menina afoita de três aninhos a subir até ao topo prestando atenção a cada pormenor de colocação de mãos e pés.
(desculpem a baba...)


26 setembro 2009

Sugestões aceitam-se

Mais um fim-de-semana no papel de solteira sem filhos.
Viciada na escrita e na leitura, sinto, porém, saudades de um bom filme.
Reconheço que ainda tenho muito que aprender no que toca a proporcionar-me momentos de laser, mas vou esforçar-me por isso.
Assim, pergunto-vos: que filme me sugerem que reserve para saborear após a habitual actividade mais-ou-menos-alucinante-dos-Sábados? Pensei no Australia. Também já ouvi boas críticas ao Quem quer ser bilionário. Confio em vós. Venham as sugestões.

23 setembro 2009

Excerto #2

(fotograma captado por mim, de um filme do meu tio. Anos 50, na Lunda)


O trabalho nos dias de semana terminava mais cedo que na mina. Porém, o serviço era completamente diferente e perigoso. Cada mês conhecia bastantes quilómetros de levantamento topográfico, feito à bússola. Desenhava muito, o que era do seu agrado.
O seu mundo resumia-se agora a uma placa africana de uns dez quilómetros de raio, bem povoada de bicharada, sendo a sociedade um pequeno número de nativos. Sentia-se bem, vivendo isolado como desejava. A vida era trabalho e caça, leitura e sono.
O trabalho, não sendo muito, tinha o senão de se tornar, por vezes, incómodo, já que implicava a passagem por pântanos. Os sapatos de ténis tornaram-se o calçado rotineiro.
Aos fins-de-semana, inicialmente, Alberto ainda se encontrou com Marques e ensaiou umas lições de condução. Depois, porém, foi avançando no levantamento topográfico, em direcção ao Fundulo e a distância aumentou, não permitindo tais encontros.
Era a Natureza quem imperava naquelas paragens.
Planícies inteiras ficavam por cultivar, devido à presença do leão. A Sul, no Quando, leões e elefantes punham em estado de sítio a região.
- Acudam, socorro!
O grito provinha de um branco, na Vila Gago Coutinho. A fera abocanhava um jovem, num tumulto espalhafatoso de sacudidelas e berros. O tempo pareceu arrastar-se sem fim, naqueles breves instantes em que uma multidão de nativos e brancos se acercou da fera e da sua vítima, soltando clamores e atirando pedras. O animal avaliou rapidamente a sua inferioridade táctica e pôs-se ao fresco, deixando para trás o indivíduo, mal tratado mas livre de perigo.
A seiscentos metros do acampamento, também já Alberto vira um casal destas feras, num aviso implícito aos homens que exploravam o seu território.

21 setembro 2009

Outono, novamente


Sinto-te nas curtas horas de luminosidade.
Nos finais de tarde varridos a vento, o corpo a pedir agasalho.
Sinto-te nas noites frias que decorrem num quarto virado a Norte.
Nas folhas que começam a atapetar as ruas. Amarelas, algumas, outras ainda esverdeadas.
Sinto-te nas saudades de um chá em companhia, umas castanhas comidas directamente do cone em papel de jornal.
Podes vir, cá estarei para te abrir a porta. Deixar-te entrar e ficar enquanto é tempo. Mas não demores demasiado, nem tu nem o teu companheiro Inverno, combinado?
É que o Verão ainda agora acabou. E, apesar de cada ano que passa eu apreciar mais os teus tons, os dourados que lembram a troca de roupas de uma estação quente pelas de uma estação fria, já sinto a falta dele...

12 setembro 2009

Viciante, O Escrito a Quente???

Quase me dá vontade de dizer "deixa-me rir", mas não quero, nem de longe nem de perto, que o Carlos, do blogue Conversas Daqui e Dali, me leve a mal.
Foi ele quem atribuiu esta distinção ao EQ. Muito obrigada, Carlos. Só espero que não seja contagioso o estado do senhor acima fotografado :-)
Este prémio tem como regras não apenas a enumeração de três compromissos que nos propomos cumprir, como a atribuição do mesmo a dez outros blogues.
Assim sendo, comprometo-me a:
1- Não querer fazer Roma e Pavia num só dia
2- Chegar ao final deste ano com um panorama profissional bem lançado
3- Dar uma maior proridade às horas de sono
Quanto aos blogues que destaco (e tive o cuidado de não repetir nenhum dos que o Carlos enumera), são eles:
1- Ares da Minha Graça, pela veia de escritora da Patti, que nos conta histórias muito bem narradas, sejam elas invenção da sua imaginação ou crónicas de episódios reais.
2- Só falta um trinta e um na minha vida. Humor mordaz e uma actualidade acutilante. Não dispenso.
3- De Si para Si, pela imaginação inesgotável. Sempre criativa, qualquer coisinha lhe serve para desencadear um enredo; até as caixas de comentários.
4- De Amor e De Terra, da Maria Mamede, uma poetisa de mão cheia. Poética também na forma de estar na vida.
5- Vekiki. A autora é "aquela máquina", no dia-a-dia super-ocupado, mas ainda consegue imaginação e disponibilidade para nos presentear com muitos livros, relatos do quotidiano e fotos lindas aguardam-nos num cantinho que cheira sempre a bolos e a bom acolhimento.
6- Bettips. Fabulosas fotos e uma escrita ,muito própria fazem com que este blogue seja local de passagem sempre agradável.
7- Fotos Fernanda. Mais um blogue de viagens pelas fotos, sempre inebriantemente belas.
8- Pitanga Doce. A simpatia duma Portuguesa que criou raízes além-mar, embelezada por acordes brasileiros e relatos com sabor a caipirinha.
9- Palavras em Desalinho. A Carla consegue, como ninguém, aliar a sensualidade à poesia num tom envolvente e cheio de beleza.
10- Duas Lentes. Um blogue de fotografia onde tenho paragem marcada diariamente. O nosso blogue.

(cada blogue com link na barra lateral do Escrito a Quente)

09 setembro 2009

Setembro

Aproxima-se o Outono.
Para mim, apreciadora de dias quentes e noites calientes, é tempo de nostalgia.
A luz já não nos brinda tantas horas, o escuro vem mais depressa. Já não ficamos na praia até depois das oito e meia. Não sentimos mais que temos todo o tempo pela frente.
A época escolar está prestes a ter início, o Verão em vias de terminar.
Ficam as cores, o cheiro da maresia, que se mantém ao longo do ano.
Fica a memória dos grãos de areia entre dedinhos dos pés, que sentiremos ainda umas quantas vezes.
O chapinhar de miúdos e os mergulhos dos graúdos. As gargalhadas e as amizades feitas na hora.
Acompanha-nos a lembrança das cumplicidades alicerçadas no calor dos finais de dia e nas horas nocturnas.
Em suma, o regozijo pelos laços criados, pelas oportunidades aproveitadas, pelas metas atingidas.
Já não temos o Verão pela frente; temos a vida toda.

03 setembro 2009

A Vida (Mário Quintana)

(foto retirada da net)


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.


Quando se vê, já são seis horas!


Quando se vê, já é sexta-feira...


Quando se vê, já terminou o ano...


Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.


Quando se vê, já passaram-se 50 anos!


Agora é tarde demais para ser reprovado.


Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.


Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.


Desta forma, eu digo:


Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,pois a única falta que terá,será desse tempo que infelizmente não voltará mais.



Mário Quintana

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